Turma Formadores Certform 66

Wednesday, December 24, 2025

Feliz Natal!

Chegados a mais um Natal é tempo de reflexão sobre esta data. O Natal nas últimas décadas tem assumido para mim contornos de alguma tristeza e estou a ser brando na qualificação. Depois de na minha já longínqua meninice ter sido uma época de muito mistério, deslumbramento e felicidade, sempre na expectativa dos brinquedos que vinham, ela passou a assumir contornos bem diferentes na minha adolescência e até na idade adulta. Antes por situações que sempre me envolviam nesta data ou na sua proximidade, situações alheias à minha família que também sofria com tudo isso, depois porque as marcas que ficaram perduram apesar de tudo e a memória não se apazigua embora o perdão já à muito tenha sido concedido. Adoro os preparativos do Natal, a sua mística e mistério, que me faz recuar à meninice, mas depois à medida que o Natal de aproxima a tristeza afasta tudo o que de bom existe para substituir por memórias menos gratificantes. Já desisti de buscar uma narrativa diferente, porque sei que nada encontrarei. Será assim até que os meus dias se esgotem neste plano astral. Essa tristeza, embora muito marcada em mim próprio, não é só a razão principal. A tristeza advém do meu semelhante, em tudo meu irmão, que longe do conforto que tenho, ser-lhe-á difícil saborear o Natal. Eu por uma razão, ele por outras bem menos prosaicas. Mas eu ainda tenho o aconchego dum lar, e muitos desses desafortunados nem a isso têm acesso. Depois é o sentimento pelos animais, esses seres invisíveis para muitos de nós, mas que ocupam o meu pensamento. Ao frio, à chuva, muitas vezes ignorados e maltratados, eles também me apertam o coração. Alguns deles chegarão a ter a sua vida terminada para alimentar a gula que, nestas ocasiões, muitos de nós não abdicam. Ainda a natureza devastada, desrespeitada para embelezar uns dias de festejo. Tudo em nome do mercantilismo que existe em torno do Natal. Por todas estas razões, o Natal é sempre uma época em que tudo isto povoa a minha memória, ano após ano, Natal após Natal. Nem mesmo o aproximar inexorável do fim da minha existência neste plano astral me faz mudar de atitude. Nestas épocas ditas festivas, são aquelas que me trazem maior tristeza e desconforto. Não sou diferente de ninguém, mas há quem tenha mais sensibilidade para estas questões face a outros. O Natal das compras e dos brinquedos já à muito que passou. Agora é um Natal mais espiritual, mais de acordo com a época, que tão esquecida é pelas gentes. Cada um terá a sua visão do Natal, a minha não é com tanto brilho, luzes a piscar e quejandos. É mais a visão do meu irmão desafortunado, do animal que sofre, da natureza vilipendiada. Poderá não ser o melhor Natal, dirão alguns, mas é seguramente o meu. Feliz Natal para todos.

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