Turma Formadores Certform 66

Wednesday, March 14, 2012

"Memórias" - Jacques Delors

Quem é realmente o homem que recusou apresentar-se às eleições presidenciais de 1995, em França, quando todas as sondagens o davam como vencedor? Jacques Delors explica pela primeira vez essa decisão, caso único na vida política francesa. Estas Memórias revelam um percurso intelectual, sindical e político pouco comum, e a originalidade que ostenta não deve ser alheia à popularidade granjeada por Delors junto da opinião pública. Quadro da banca que sonha com o cinema, a alta costura e o jornalismo, militante sindicalista, acabamos por vir a encontrá-lo nos bastidores das decisões governamentais, no Comissariat Général du Plan, mais tarde em Matignon, como conselheiro do Primeiro-Ministro Chaban-Delmas e artífice do que seria a Nouvelle Société. Jacques Delors ensinou na universidade, foi eleito para o Parlamento Europeu e tornou-se Ministro das Finanças de François Mitterrand, antes de se dedicar à Europa, como presidente da Comissão, durante seis anos. Um quarto de século depois de Monnet, Schuman e Spaak, Jacques Delors faz parte da segunda geração de fundadores da Europa, a Europa da união económica e monetária e da batalha pela união política. Se Schmidt e Giscard foram os percursores e Kohl e Mitterrand os padrinhos do euro, então Delors foi o seu progenitor. Resumindo várias vidas que, no entanto, apresentam uma inegável unidade de acção e de pensamento, numa trajectória política e pessoal atípica. Esta obra foi escrita em colaboração com Jean-Louis Arnaud, escritor e jornalista. A edição é da Quetzal Editores. Um livro muito interessante e importante, sobretudo, para se conhecer melhor os bastidores da União Europeia onde, para o bem e para o mal, tudo se decide. Um livro que recomendo vivamente.

Tuesday, March 13, 2012

Conversas comigo mesmo - LXXIV

"Devo à paisagem as poucas alegrias que tive no mundo. Os homens só me deram tristezas. Ou eu nunca os entendi, ou eles nunca me entenderam. Até os mais próximos, os mais amigos, me cravaram na hora própria um espinho envenenado no coração. A terra, com os seus vestidos e as suas pregas, essa foi sempre generosa. É claro que nunca um panorama me interessou como gargarejo. É mesmo um favor que peço ao destino: que me poupe à degradação das habituais paneladas de prosa, a descrever de cor caminhos e florestas. As dobras, e as cores do chão onde firmo os pés, foram sempre no meu espírito coisas sagradas e íntimas como o amor." Palavras sábias e profundas de Miguel Torga. Quando falamos de natureza, nem sempre a sentimos com esta intensidade. Olhamos por vezes para ela como se fosse um somatório de árvores, serras, vegetação, quais pincéis que coloram o horizonte como um cenário. Quantos de nós olhamos para ela com estes olhos. Quantos de nós a sentem verdadeiramente debaixo dos pés. Nós, homens e mulheres da cidade, só a vemos nos postais ilustrados, nos documentários televisivos, num ou noutro passeio de fim-de-semana, mas sempre à distância com medo de sujar os pés. Não percebemos a verdadeira dimensão que ela tem. Ela que nos dá o pão, que equilibra o ecosistema que proporciona a vida, essa visão da natureza escapa-nos. Olhamos para ela através das palavras de alguns ecologistas que, apesar de estarmos de acordo com o que dizem, não deixamos de olhar para eles como uns "pobre coitados", uns visionários, bem longe de nós, na nossa pose séria e compenetrada de funcionários de gabinete, bem vestidos e bem falantes. Esta é a natureza que gosto. É a natureza que encerra em si a capacidade de criar sustento, que alimenta as pessoas e os animais que nela se albergam. Esta é a natureza que faz com que nós possamos viver. Esta é a natureza que destruímos dia após dia, sem disso dar-mos conta, na nossa sacrossanta ignorância. Preservar a natureza é preservar a vida, é preservar o planeta. É algo que deveria ser ensinado nas escolas aos mais pequenos, para além de algum "folclore" mediático que anda por aí. A natureza é vida, sem ela não existimos, o planeta extingue-se. Comecemos a olhar para ela com olhos sábios, porque dependemos mais dela do que aquilo que pensamos.

Equivocos da democracia portuguesa - 173

“A Lusitânia pode ser temporariamente vencida, mas nunca d'outrém subjugada; não se extingue, porque a sua liberdade subsistirá nas almas, e cedo ou tarde manifesta-se em espírito e renasce em restauração gloriosa”. (in "Viriato - História de uma Epopeia Lusitana", Teófilo Braga, Apeiron edições). Esta é a senda gloriosa da nossa Pátria, não o esqueçamos. Quando um grupelho de rapazolas pretende esmagar este povo, destruir uma Nação com a aplicação do seu projecto ultraliberal, é bom que tenhamos presente estas palavras de Teófilo Braga. Quando se vai, paulatinamente, destruindo as conquistas obtidas, tantas vezes nas condições mais agrestes, como o sistema de ensino público - embora haja especialistas que dizem que é preciso reconhecer aquilo que de bom o governo de Sócrates fez nesta matéria -, quando se vai destruíndo o SNS em nome dum economicismo barato para entregar ao sector privado um negócio tão apetecível, quando a Segurança Social está perfeitamente descapitalizada, visto ter que pagar mais subsídios, pensões e reformas, com cada vez menos recursos dos contribuintes que engrossam as fileiras dos Centros de Emprego, fruto da desastrosa aplicação dum programa desajustado à realidade portuguesa, quando se proclama a ideia de que para o ano tudo vai ser leite e mel a escorrer pelas paredes do nosso país, - não esqueçamos que é ano eleitoral! -, quando se destruiu a classe média que sempre foi o sustentáculo da nossa economia e até da democracia, quando tudo isto acontece, as palavras de Teófilo Braga - iminente figura da I República - têm toda a actualidade. Quando vemos um governo e um PM prefeitamente insensíveis aos gritos da população desesperada, quando vemos ministros a serem vaiados quando saem dos seus luxuosos gabinetes, que actualidade sentimos nas palavras de Teófilo Braga. Quando temos um PR que, mais do que estar interessado em Portugal e nos portugueses que ele deveria representar, o vemos a chorar pela sua reforma, o vemos a atacar o anterior PM que ele nunca conseguiu vergar, e depois o vemos a fugir quando aparece no horizonte uma manifestação de alunos do secundário, ai como pensamos nas palavras certeiras de Teofilo Braga. Quando vemos o governo espanhol aqui ao lado, a bater o pé à "troika", na defesa da sua nação e do seu povo, e vemos o governo português a fazer o papel de "menino bem comportado" insensível aos gritos de desespero de muitos dos seus concidadãos, não podemos deixar de pensar nas palavras acertivas de Teófilo Braga. E que necessidade sentimos de um novo Viriato para endireitar Portugal e correr com este grupelho que tinha como ambição política apenas o "ir ao pote", segundo as próprias palavras do seu líder e como estratégia o "pastel de nata". Está na hora de Portugal se erguer, salvo o que será esmagado pela senda ultraliberal que nos empobrece e que está a levar o nosso país para a miséria mais hedionda.

Monday, March 12, 2012

Conversas comigo mesmo - LXXIII

A Inês, a mais bela flor do meu jardim de Outono, cumpre hoje o seu quinto mês de vida. Depois da aparição dos primeiros dentes, a seguir o comer da primeira papa, veio agora a descoberta dos primeiros gestos, nos afectos mais vincados, na euforia com que olha para aqueles que mais ama e que a amam muito também. Neste final de Inverno, pleno de canícula como se de Verão se tratasse, a Inês vai-se desenvolvendo cada vez com mais afinco e vigor. A Inês do meu contentamento, continua a fazer a sua caminhada com a determinação digna do nome de rainha que ostenta. E eu, no meu Outono, vou olhando para ela com a certeza de que a Inês há-de ser uma mulher determinada, solidária com o seu semelhante, amiga dos animais e respeitadora da natureza. É vê-la com que curiosidade tenta tocar, acariciar, os meus cães. Como olha para eles com admiração numa nova descoberta que até aí ainda não tinha surgido. A Inês é uma criança muito sorridente e observadora, olhando atentamente para tudo o que a envolve tentando compreender este mundo diferenciado e colorido a que chegou. Mas depois, um belo sorriso se desenha no rosto, qual cumprimento a quem chega e a quem ela reconhece o mesmo carinho que ela própria irradia. Já por diversas vezes, a Inês do meu contentamento, tem vindo a minha casa. Não estranha nada a mudança de envolvência, como se esta também fosse a sua casa, - é a sua casa -, uma casa onde ela se sente bem, com o muito amor e carinho que lhe está destinado, amor e carinho que lhe é transmitido por quem viu a sua vida mudar, embora já no seu Outono. Ela é sol radioso que ilumina, - me ilumina -, dando-me novo alento. A Inês é um ser de luz. Inês amor, Inês flor do meu jardim de Outono, aqui estou a celebrar mais uma data, uma data pequenina mas importante, porque nela revejo a redenção que tanto ansiava e que uma criança - tu, Inês - na sua pureza melhor do que ninguém é capaz de induzir. Inês aqui estou, como sempre, ao teu lado.

Conversas comigo mesmo - LXXII

"Amar é sorrir por nada e ficar triste sem motivos é sentir-se só no meio da multidão, é o ciúme sem sentido, o desejo de um carinho; é abraçar com certeza e beijar com vontade, é passear com a felicidade, é ser feliz de verdade!" Estas palavras são de Albert Camus. Isto se aplica a pessoas nossos semelhantes, como aos animais nossos irmãos de quatro patas, como à natureza essencial à nossa vida. Mas queria aqui destacar os animais, que são as vítimas preferenciais da baixeza humana, onde a sede de poder, vingança, prepotência, se abatem com mais acuidade. Aqui à que lembrar as palavras de Milan Kundera: "Os cães são o nosso elo com o paraíso. Eles não conhecem a maldade, a inveja ou o descontentamento. Sentar-se com um cão ao pé de uma colina numa linda tarde, é voltar ao Éden onde ficar sem fazer nada não era tédio, era paz." Isso mesmo. Não seriam necessárias as palavras de um escritor consagrado como Kundera, mas para muitos, pode ser aquilo que faltava para mudar a sua atitude. Porque é no amor e na amizade que reside aquilo que de melhor o ser humano tem, só que está muito adormecido, e para muitos, infelizmente, nunca chega a despertar para a luz do dia. Vem-me à memória as palavras de Abraham Lincoln quando afirma que "a melhor parte da vida de uma pessoa está nas suas amizades." Sei que para muitos, isto não passa de palavras, palavras ditas ao vento que depois não têm consequências na vida real. Mas cada vez mais devemos pensar que estamos no século XXI, onde a mentalidade do ser humano deveria estar mais evoluída. Se ela evoluiu no aspecto tecnológico, ainda está na pré-história dos sentimentos, como o amor, a amizade e a fraternidade. Ainda um longo caminho nos espera, se tivermos vontade e capacidade para o trilhar. Afinal, é de evolução da espécie que falo, que tão lentamente tem crescido ao longo dos tempos. Andamos por cá à milhares de anos e, - alguns de nós -, ainda parece que estão na idade mais negra e funda da vida das cavernas. Sabemos da imperfeição do ser humano - basta olharmos para nós próprios todos os dias - mas o que mais incomoda é esta falta de vontade de querer aperfeiçoar a nossa vida. Como escreveu Fernando Pessoas, "adoramos a perfeição, porque não a podemos ter; repugna-la-íamos, se a tivéssemos. O perfeito é desumano, porque o humano é imperfeito." Todos temos consciência disso. Mas façamos um esforço para sermos diferentes, para sermos um pouco melhor, e talvez façamos um mundo mais equitativo, mais solidário, mais amigo, mais fraterno.

Sunday, March 11, 2012

Conversas comigo mesmo - LXXI

Vive-se hoje, o terceiro domingo da quaresma, onde se recorda o episódio dos vendilhões do templo. A questão do templo, tão em destaque na Bíblia, não é, certamente, para pôr o templo em questão. O templo, como lugar de encontro e de reunião de culto, como espaço apropriado para a oração e celebração da fé, não é susceptível de contestação, é algo de necessário e comum a todas as religiões. O que Jesus põe em questão, e o que o faz reagir de modo tão duro e surpreendente, é o que aí se passava. As actividades e as movimentações que, a pretexto do culto, se podiam presenciar, eram uma deturpação chocante e escandalosa da imagem de Deus e do que deve ser a nossa relação com Ele. Por isso, a justa indignação de Jesus nascida do zelo pela casa e pelo nome do Pai, e a actuação que se lhe seguiu. Uma actuação que nos põe de sobreaviso quanto aos desvios e ambiguidades que podem envolver todo o culto, o nosso também! E numa altura em que, cada vez proliferam mais os vendilhões do templo, nestes tempos de incerteza e de angústia, convém que pensemos no que é a nossa missa dominical? Será que é um verdadeiro encontro com Deus em Jesus Cristo, que é o seu templo vivo? Ou será, uma escuta sincera das promessas e das exigências do evangelho e uma celebração do nosso compromisso de fraternidade, ou mero cumprimento de uma "obrigação" para tranquilidade de consciência mas sem consequências no nosso modo de viver? É bom que pensemos sobre tudo isto, sobretudo agora, onde os tempos são incertos, o futuro não é animador, onde o desânimo e a descrença têm campo fértil onde germinar.

Saturday, March 10, 2012

Equivocos da democracia portuguesa - 172

Normalmente diz-se que não há regra sem excepção. Mas o nosso governo, como gosta de ir mais longe do que aquilo que está previsto, - como está a acontecer com a "troika" -, a frase passa a ser "não há regra sem excepções"! Isto prende-se com o que vemos sobre as excepções dos cortes salariais. Até agora era o Banco de Portugal, porque não depende do governo, mas depois foi a TAP, mas era só esta porque estava em concorrência e em processo de privatização, conforme garantia o ministério das finanças, mas eis que aparece outra, a CGD. (E existe a possibilidade de outras excepções, casos da ANA e NAV). Claro que o ministro Miguel Relvas, que nunca teve outro emprego a não ser o de colar cartazes, apressou-se logo a dizer que "não existem excepções mas sim adaptações"!!! Será que estes senhores pensam que estão a falar para pessoas com debilidades intelectuais? Será que não têm vergonha do que estão a fazer ao país (invocando o governo anterior, não vá o diabo tecê-las!) colocando-o à beira da miséria, destruindo a classe média que foi, historicamente, o sustentáculo do desenvolvimento do país e até da democracia. Mas não pensem que é só o governo que anda de andarilho, não! Agora vem o PR que ainda se sente incomodado pelo anterior PM - o que diz bem da força de Sócrates que não se deixou condicionar por Cavaco - e em seu apoio apenas veio o seu "amigo" da Madeira, o tal que à algum tempo atrás o tratava pelo "Sr. Silva"! Será que ainda se lembram? Isto diz bem da maneira inábil como o PR tem vindo a actuar, sem sentido de Estado, sem saber honrar o cargo que tem. Uma coisa é falar como cidadão, outra bem diferente é falar como PR. O que significa que as instituições estão mal representadas com tal gente. A mesma gente que é corajosa a falar na televisão, mas que não tem coragem para enfrentar alunos duma escola secundária, a mesma gente que vai inaugurar um centro de saúde e, porque sabe que existe uma manifestação à porta, chega... mais cedo! Afinal de que têm medo estes senhores que se lá estão foi com o voto das populações, as mesmas populações que eles têm medo de enfrentar. Afinal de que têm medo? De que têm vergonha? Assim vai Portugal, como o resto da Europa, governada por gente que não tem coluna vertebral, sem sentido de Estado, sem sentido do lugar que ocupam. Vem-nos à memória a seguinte frase "... têm fome, então porque não comem galinha?..." registo de Eça de Queiroz num seu opúsculo intitulado "O 1º de Maio" e escrito no período em que ele foi diplomata em Paris. Afinal a ignorância da nobre que fez esta afirmação, desconhecendo que a sua população não tinha dinheiro sequer para comprar o básico, quanto mais galinha - que era um luxo na época! - parece ser a mesma ignorância dos nossos governantes quando olham para a miséria a que estão a reduzir a população enquanto eles têm a mesa farta. Ah! Eça, se cá voltasses, não te faltaria matéria para os teus livros!...

Friday, March 09, 2012

Equivocos da democracia portuguesa - 171

E, finalmente, a máscara caiu! Como se ainda existissem dúvidas o livro de Cavaco Silva que hoje é editado, esclareceria todas as questões. As fortes acusações de Cavaco a Sócrates dizem bem da situação que se vivia em Portugal à pouco mais de oito meses, e como Cavaco terá contribuído para a queda do governo de Sócrates, afirmando-se assim, - como já aqui o dissemos por diversas vezes -, como um presidente de facção e bem longe de ser o presidente de todos os portugueses. Cavaco nunca gostou que o enfrentassem, - são normalmente assim, todos os autoritários -, e Sócrates não o temia, bem pelo contrário. Cavaco deixa assim para a História, o registo do único presidente de facção que tivemos em democracia e, talvez, mesmo durante a I República, e que se assume como tal. Para os que têm a memória mais curta, é bom lembrar o que Cavaco, então primeiro-ministro fez ao então presidente da República Mário Soares. As deslealdades que na altura foram anunciadas, o mal-estar, a sobranceria, que Cavaco sempre teve. Ele que se assume como um "infalível" - o tal que "nunca se engana e raramente tem dúvidas"! - já se deve ter esquecido que governou no início da adesão de Portugal à então CEE, numa altura em que o dinheiro entrava em Portugal "às pasadas" e que nem sabíamos bem o que lhe fazer. Isso até deu para construir o maior elefante branco da democracia, o CCB. E alguém se lembra de que foi no "reinado" de Cavaco que se começou a criar o famoso déficit. (Para os mais esquecidos será bom que recuperem as palavras do Prof. Miguel Cadilhe sobre esta matéria produzidas ao longo do tempo). Um dia se há-de fazer história deste período da vida nacional e depois veremos o que ela fixará do comportamento dum e doutro. Será necessário que passe algum tempo sobre os factos para que, com clareza, se atribuam as respectivas responsabilidades. Afinal o que moveu Cavaco foi a ideia de, pela primeira vez, colocar um governo da mesma cor política do presidente. E que ganhamos com isso? Nada. Hoje vivemos pior do que no passado recente. O governo quer aproveitar o "memorando da troika" para ir mais além e aplicar o seu programa ultra-liberal, onde as questões sociais não existem, onde os portugueses não existem, onde apenas existe o egocentrismo governamental. E este a braços com cada vez mais dificuldades, - até já se vai falando do titular da pasta da economia para possível embaixador na OCDE -, onde os desentendimentos e os arranjos são cada vez mais evidentes e ainda passaram apenas oito meses! E entretanto, os portugueses são atirados para a miséria, a classe média foi destruída, Portugal está à beira do abismo. (Basta ver como as populações começam a receber o primeiro-ministro!) E estes senhores que apenas tinham como meta a ânsia de "ir ao pote", nada mais têm para mostrar. Eram eles que tinham a receita para em dois meses "endireitar" o país (Miguel Macedo dixit). E não basta continuar a justificarem com o passado a incompetência da presente governação. Daí que se comecem a ouvir as vozes de algumas figuras públicas que reclamam que Sócrates é que tinha razão e que se se tivesse aprovado o famoso PEC IV não teríamos chegado aqui. Afinal é com medidas como as que estão se defendiam que a Itália, a Espanha, a Irlanda, a própria França, estão a combater as suas dificuldades. Mas isso será o julgamento que a História, lá mais para a frente, há-de fazer. Agora apenas fica a ideia de que temos um presidente de facção que não representa a totalidade dos portugueses, como se ainda fosse preciso algum esclarecimento adicional... E, como Sócrates ainda incomoda, ao fim deste tempo, mesmo ausente do país! O que significa que a sua força ainda perturba.

Thursday, March 08, 2012

Carta de um Pai ao filho - Um momento para reflectir

"Amado Filho, O dia em que este velho já não for o mesmo, tem paciência e compreende-me. Quando eu derramar comida sobre a minha camisa e esquecer como atar os meus sapatos, tem paciência comigo e lembra-te das horas que passei ensinando-te a fazer as mesmas coisas. Se quando conversas comigo, repito e repito as mesmas palavras e sabes de sobra como termina, não me interrompas e escuta-me. Quando eras pequeno, para que dormisses, tive que contar-te milhares de vezes a mesma estória até que fechasses os olhinhos. Quando estivermos reunidos e, sem querer, fizer as minhas necessidades, não fiques com vergonha e compreende que não tenho culpa disso, pois já não as posso controlar. Pensa quantas vezes quando menino te ajudei e estive pacientemente a teu lado esperando que terminasses o que estavas a fazer. Não me reproves porque não quero tomar banho; não me chames a atenção por isso. Lembra-te dos momentos que te persegui e os mil pretextos que tive que inventar para tornar mais agradável o teu banho. Quando me vejas inútil e ignorante na frente de todas as coisas tecnológicas que já não poderei entender, suplico-te que me dês todo o tempo que seja necessário para não me ferires com o teu sorriso sarcástico. Lembra-te que fui eu quem te ensinou tantas coisas. Comer, vestir e como enfrentar a vida tão bem como o fazes, são produto do meu esforço e perseverança. Quando em algum momento, enquanto conversamos, eu chegue a me esquecer do que estávamos falando, dá-me todo o tempo que seja necessário até que eu me lembre, e se não posso fazê-lo não fiques impaciente; talvez não fosse importante o que falava e a única coisa que queria era estar contigo e que me escutasses nesse momento. Se alguma vez já não quero comer, não insistas. Sei quando posso e quando não devo. Também compreende que, com o tempo, já não tenho dentes para morder, nem gosto para sentir. Quando as minhas pernas falharem por estarem cansadas para andar, dá-me a tua mão terna para me apoiar, como eu o fiz quando começas-te a caminhar com as tuas fracas perninhas. Por último, quando algum dia me ouvires dizer que já não quero viver e só quero morrer, não te enfades. Algum dia entenderás que isto não tem a ver com teu carinho ou o quanto te amei. Trata de compreender que já não vivo, senão que sobrevivo, e isto não é viver. Sempre quis o melhor para ti e preparei os caminhos que deves percorrer. Então pensa que com este passo que estou a dar, estarei construindo para ti outra rota num outro tempo, porém sempre contigo. Não se sintas triste, enojado ou impotente por me ver assim. Dá-me o teu coração, compreende-me e apoia-me como o fiz quando começaste a viver. Da mesma maneira que te acompanhei no teu caminho, te peço que me acompanhes para terminar o meu. Dá-me amor e paciência, que te devolverei gratidão e sorrisos com o imenso amor que tenho por ti. Atenciosamente, Teu Velho". Momento grandioso de reflexão, dum profundo sentimento de amor pelo outro que tantas vezes é esquecido. Curvê-mo-nos perante esta sabedoria que um dia se aplicará a nós.