Domingo de Ramos
Domingo de Ramos. É suez dizer-se que é o dia dos padrinhos e porque não dos afilhados? Na minha juventude era o dia em que os afilhados traziam ramos de flores aos padrinhos e estes retribuíam com amêndoas. (Era vê-los pela manhã num cortejo que tinha tanto de burlesco como de belo). Mas isso já é passado. Hoje as flores para os padrinhos existem cada vez menos, e as amêndoas destes para os afilhados quase que desapareceram. Os tempos são outros, os gostos são outros e dificilmente as tradições resistem à erosão do tempo. Mas este dia tem para mim um significado especial porque é neste dia que esperamos a chegada da nossa afilhada Inês à nossa casa. Não para trazer flores que dispensamos, mas sim, por ela mesma, a nossa querida afilhada que tanto amamos. Hoje estamos muito afastados e a Inês é o que resta desse brilho de padrinhos que pensamos em tempos idos. Pura ilusão! A Inês vem cada vez menos a nossa casa, - embora moremos em casa contíguas -, porque os estudos a ocupam mas também porque nós já somos demasiado velhos para interessar uma jovem adolescente que, até pela idade que tem, encontrará outras pessoas e afazeres dentro daquilo que são as suas expectativas. Afinal com a idade mais de avós que padrinhos, a Inês vai buscar fontes de interesse em gente mais nova, mais consentânea com aquilo que é a sua idade. Mas mesmo assim, e porque as visitas são cada vez mais parcas, quando ela vem é um verdadeiro acontecimento para os seus padrinhos. Esperamos que ela não se esqueça de vir porque aqui há quem tenha muito amor por ela. Há de chegar o dia em que não virá e para isso temos que estar preparados. É o ciclo da vida que temos que aceitar como inevitável mas que tentamos adiar ano após ano. Neste domingo que celebra a entrada de Jesus em Jerusalém deixo aqui os votos de um feliz Domingo de Ramos a todos os padrinhos e afilhados!


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