Os beijos nascem onde moram as palavras
Os beijos nascem onde moram as palavras. Acho que os beijos são dados na boca porque é de onde saem as palavras. É ali que a verdade se arrisca, que o desejo ganha som e que o silêncio se curva em rendição. Beijar é calar a mente e deixar que o corpo diga o que o orgulho escondeu. Há beijos que confessam, outros que condenam. Alguns têm gosto de perdão, outros de incêndio. Os mais perigosos são os que não chegam a acontecer, esses ficam presos no ar, queimando a garganta de quem engoliu a coragem. Beijo é verbo que não precisa de tradução. É a pausa entre o medo e o milagre. Quando duas bocas se encontram, o mundo faz silêncio, porque sabe que está assistindo à linguagem original do amor, aquela que veio antes da fala e sobrevive depois do fim. Há quem beije para se perder, há quem beije para se encontrar. Mas todo beijo carrega um pedido disfarçado: fica um pouco mais.
Mari Morris


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