Turma Formadores Certform 66

Monday, December 29, 2025

Balanço de quase fim de ano

Este ano está quase a findar. Foi um ano de perdas como tantos outros. Todos os anos temos perdas e nem sempre conseguimos compensar com outros que chegam. Neste aproximar de final de ano, quero aqui trazer a memória de três amigas que a vida me levou. Separadas por gerações, uma delas até por país, tinham em comum a bondade para com os animais, traço importante na amizade que nos ligou. Duas delas já partiram o ano passado de 2024, outra deixou-me à poucos meses. Como já compreenderam falo da minha querida amiga Paula Maia, uma grande senhora, uma grande mulher, com quem tive o privilégio de trabalhar na causa animal. Aprendi muito com ela, desde logo a grande compaixão para com esses seres sem voz. Uma mulher não muito crente, mas que no fim da vida se foi reconciliando com o transcendente. Falávamos todos os dias e isso era inspirador. A outra foi a Sofia Flor Rocha, mulher com o temperamento do norte, uma grande amiga que a morte levou ainda na sua juventude. Ela era uma mulher de forte pendor religioso, que tinha no amor aos animais a sua motivação mais profunda. Muitas vezes fui testemunha disso, nos contactos diários que tivemos durante anos. Duas gerações diferentes com motivações comuns. A outra amiga que aqui quero lembrar é a Helga Marianne Bock oriunda da Alemanha, mais concretamente de Bochum, tinha uma grande paixão pelos animais. Morreu à poucos meses, vítima de doença prolongada. Falávamos diariamente também, e ainda me lembro das lágrimas vertidas quando me disse que tinha doado os seus animais, cães e gatos, a uma associação por não poder tratar deles, porque a saúde já não o permitia. Teve um fim de vida triste, viúva, praticamente sem família, e lembro-me bem da descrença que se foi apoderando dela à medida que a doença fazia o seu percurso. Trabalhou até praticamente ao fim da vida e isso também a marcou por não poder continuar e ter necessidade de o fazer. Tentei incutir-lhe força, espero que se tenha reconciliado com o Universo e que tenha partido em paz. Nesta altura de balanço, ficam sempre resquícios de memórias que sempre nos abalam. Mas sabemos que temos que continuar até ao dia que o nosso tempo se esgotar. Depois apenas ficará a memória e aquilo que de bom, ou menos bom, tivermos deixado para trás como lastro da nossa passagem por esta dimensão. E se esse lastro for o da bondade para com esses seres indefesos, sem voz, como estras mulheres deixaram, podem crer que terá valido a pena segundo a minha bitola de avaliação. É isso que pretendo deixar no dia que já não existir e que tal possa inspirar outros a seguirem as mesmas pegadas. Não me assumo aqui como figura central duma qualquer opera bufa, apenas o sentir que o coração nos vai inspirando, a saber, a compaixão pelo outro, mesmo que, e sobretudo, se esse outro for um ser indefeso sem voz. Tudo o resto é apenas 'vã glória de mandar' como diria o poeta.

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