A geopolítica da miséria
Estamos a assistir neste dia ao ataque ao regime do Maduro o conhecido pequeno ditador da Venezuela. Talvez agora fique claro porque Trump tem pressionado tanto Zelensky para aceitar a capitulação da Ucrânia e a cedência de parte do seu território, sobretudo a zona do Donbass. Ao fim e ao cabo o que se prende é que os EUA vão de encontro aos interesses russos, e estes não interferirão no apoio ao regime de Maduro. Tudo muito simples. Esta 'amizade' de Trump com um outro ditador como Putin, afinal não é mais que um negócio no tabuleiro da divisão do mundo. É conhecida a teoria de Trump que o mundo está dividido em três grandes zonas: o Ocidente para os EUA, o Leste para a Rússia e a Ásia para a China. Curiosamente não temos visto grandes ações sobre o avanço da China sobre Taiwan e é fácil de perceber porquê. Ao fim e ao cabo o que está em causa é a luta pelas matérias primas. Se Putin pretende não abdicar do Donbass visto ser nessa zona onde a Ucrânia tem concentradas as matérias primas que a Rússia pretende, Trump quer não uma zona mas toda a Venezuela visto este ser um território com grande riqueza apesar das enormes carências a que o regime de Maduro reduziu o seu país. Um país com riqueza enorme e com gentes simpáticas. O mesmo país que acolheu os meus na década de 50 do século passado que sempre guardaram uma grata memória desse país. Quanto à China vai estando fora destas questões porque, se calhar, a China se tornou demasiado poderosa e assusta estes pequenos hipócritas como Trump ou Putin. Será que ainda paira nas suas cabeças a famosa teoria do 'tigre de papel' lançada do Mao no século passado? É a isto que se chama geopolítica, que eu acrescento, da miséria, pela simples razão de que as populações não irão beneficiar com nada disto. A estes senhores do mundo só interessa a riqueza das nações e o modo de as extorquir aos respetivos países. Ao fim e ao cabo, a História repete a mesma geopolítica que à séculos atrás foi protagonizada por Portugal e a Espanha quando dividiram o mundo a meio. Quem beneficiou nessa altura foram as classes possidentes, porque a população em geral ficou na mesma. Hoje em vez de dois parceiros são três mas o princípio é o mesmo. Será curioso ver se agora o resto do mundo terá para com a Venezuela a mesma atitude que tem tido para com a Ucrânia. Alguns dirão que se tratam de regimes diferentes, mas isso só será mais uma das hipocrisias a juntar a tantas outras. E assim vai o mundo dividido entre os poderosos do momento, enquanto as populações de nada ou pouco beneficiarão com isso, mesmo quando parece que serão as principais beneficiadas. Pura ilusão. Veremos se o poder caiu na rua, que condições existem para manter a ordem, quem vai assumir a liderança entretanto. Perguntas que às quais só ao futuro caberá dar resposta.


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