Noite de São João
Esta é a noite mais longa, como é usual dizer-se em terras do norte, sobretudo, no Porto. É a noite de São João. Esta é a noite da folia e dos excessos, a noite do martelinho. do alho porro e da cidreira para os menos jovens, a noite dos balões e dos fogos-de-artifício. Esta é a noite de saltar à fogueira. Esta é a noite de São João que é mais comum, aquela em que a maioria das pessoas se revê. Nesta noite de folia onde ricos e pobres se confundem, velhos e novos se misturam, todos unidos pela festa. Já não a folia do alho porro, mas a folia do martelinho de plástico. Coisas do tempo. Mas neste dia de alegre convívio e celebração, também não queria deixar de lembrar os inúmeros animais sacrificados à gula do ser dito humano. Animais inocentes que viram as suas vidas terminadas nestes últimos dias para que nós celebremos esta festa ritual. Chegado aqui sempre me interrogo quando ouço os falsos moralistas gritarem indignação sobre o festivas de Yulin na China onde milhares de cães são sacrificados. Afinal qual é a diferença entre a vida dum cão, dum gato, dum carneiro, dum peixe? Não são todos seres dignos dela como nós? A hipocrisia anda por aí assumindo as mais diversas formas consoante os interesses que são os nossos, a chamada (impropriamente) espécie dominante. Aqueles que rasgaram as vestes quando há dias publiquei imagens de animais torturados e mortos - na China mas não só - será que fazem o mesmo quando veem o que se passa debaixo dos seus narizes? Talvez não. Há muitos defensores dos animais quando estes são os dos outros, ou quando se trata apenas do cão e do gato. Mas há mais animais que também têm o direito à vida. E esses nem São João lhes vale! Mas como ninguém pensa nisso, apenas na festa, na comida e na farra, também não me sinto motivado para deixar aqui mais do que aquilo que disse. Quem me conhece sabe como sou, quem sou, o que penso e, sobretudo, o que faço. Tudo o resto não passa de folclore. Boa noite de São João a todos!






