Tuesday, May 05, 2026
Monday, May 04, 2026
"Aforismos" - Karl Kraus
Inicialmente publicados em pequenas sérias na Fackel e depois reunidos pelo próprio em três livros, 'Aforismos' constitui a quinta-essência do pensamento de Karl Kraus sobre a natureza e a sociedade, eros e arte, língua e literatura, dando aos leitores, ao mesmo tempo, uma impressão nítida do virtuosismo da sua prosa altamente condensada. Na história do género, os seus aforismos ocupam um lugar de destaque, graças à originalidade e agressividade dos seus pensamentos e à tensão e à energia da sua elaboração linguística. O que Goethe disse de Lichtenberg — «onde ele faz uma brincadeira, espreita um problema» — também se aplica a Kraus. Mas a afirmação contrária é igualmente válida: Será difícil nomearmos um problema que Kraus não tenha resolvido no humor de um aforismo. «A imprensa devastará o que a sífilis deixou. As causas dos amolecimentos cerebrais do futuro já não poderão ser determinadas com segurança.» Sobre o autor, Karl Kraus nasceu em 28 de abril de 1874, em Gitschin, e morreu em 12 de junho de 1936, em Viena. Autor votado à mordacidade e à controvérsia, fundou a revista 'Die Fackel', onde durante quase quarenta anos foi praticamente o único redator. Este é um livro muito interessante que recomendo vivamente, sobretudo porque se ajusta bem aos tempos que correm. A edição é da VS. Editor.
Sunday, May 03, 2026
Dia da Mãe
Celebra-se hoje mais um Dia da Mãe. Começamos a estar com o calendário repleto de dias disto e daquilo, este é mais um exemplo disso mesmo. Quando era jovem o Dia da Mãe celebrava-se a 8 Outubro e não em Maio. Esta foi mais uma alteração que o calendário nos trouxe. Mas não preciso deste dia ou doutro qualquer, com um qualquer nome, para celebrar a minha Mãe. Ela já há muito que partiu, e esta celebração não é mais do que o celebrar duma memória que vai enchendo cada vez mais a minha galeria de ausentes. Mas como dizia, não preciso deste dia para celebrar a memória da minha Mãe que está presente em todos os dias da minha vida, dedicando-lhe o amor que ela sempre teve por mim quando palmilhou este plano astral. Com o simbolismo, com a intensidade que está muito para além dum dia comemorativo. Só temos a verdadeira dimensão da Mãe quando a perdemos e sentimos o vazio que daí advém. Daí o afirmar que, a todos os que ainda a têm junto de si, que a celebrem antes que esta se transforme numa memória. A ti minha Mãe, desejo-te um feliz Dia da Mãe lá onde estiveres. Sabes que dia da Mãe são todos para mim. Descansa em paz!
Saturday, May 02, 2026
Friday, May 01, 2026
Viva o 1º de Maio!
Mais um 1º de Maio se celebra, o 52º em democracia. E como já vai longe esse outro 1º de Maio em que tudo parecia remar no mesmo sentido, ainda sem grandes clivagens políticas e ideológicas visíveis. O 1º de Maio remonta a um tempo ainda mais recuado. A celebração tem a ver com o que se passou no dia 1 de Maio de 1886, quando uma greve foi iniciada na cidade norte-americana de Chicago, com o objetivo de conquistar melhores condições de trabalho, principalmente a redução da jornada de trabalho diária, que chegava a 17 horas, para oito horas. Aquilo que hoje parece básico para qualquer um de nós - independentemente da ideologia - era algo anacrónico no século XIX. Aquilo que hoje ninguém põe em causa, era considerado como algo perigoso e revolucionário nesse tempo. Um tempo em que ainda não se falava tanto de comunismo, coisa que as pessoas nem sabiam bem o que era. Assim, a celebração se foi mantendo e o seu simbolismo também para servir de exemplo a outras pessoas, povos e nações dum outro tempo. Mais tarde foi conotado com o comunismo - embora isso não seja totalmente correto, tal asserção carece de ser clarificada - mas, mesmo com alguma confusão ideológica à mistura, a data deve ser celebrada. Em muitos regimes esta data é utilizada como bandeira ideológica, noutras como algo perigoso (tal como no longínquo século XIX) e é fortemente reprimida. Sei bem o que acontecia entre nós antes da democracia, quando as pessoas se queriam manifestar neste dia. Sei bem como grupos de jovens estudantes sem ideologia alguma bem definida, eram perseguidos, espancados e presos, só porque se queriam manifestar. Sei bem o que isso era porque cresci nesses tempos de escuridão que espero não voltar a ver no tempo que me resta de vida. (Embora andem por aí alguns saudosistas que já nasceram em liberdade e nem sabre o que uma ditadura implica). E eu - como tantos outros - nunca fomos comunistas, se calhar nessa altura, nem sabíamos bem o que era a referência ideológica, mas isso não significava que não sofrêssemos a brutal repressão dum regime moribundo, nós que apenas queríamos ver um Portugal igual a tantos outros países que conhecíamos para lá dos Pirenéus e não a aldeia miserável, pobre e analfabeta que era a nossa imagem de marca no mundo. Hoje em liberdade, os mais jovens nem sabem o que isto significava à 52 anos atrás e os riscos que corríamos. Para eles é mais um feriado e um dia de festa, mais do que de ideologia, se essa ainda está presente. Curiosidades dos tempos e da História, mas que mesmo isso não sirva de pretexto para a sua não celebração. É importante que este dia não seja esquecido no que de bom e de trágico encerra. Viva o 1º de Maio!





