Friday, August 28, 2026
Thursday, August 27, 2026
Dizem...
“Dizem que antes de entrar no mar, o rio treme de medo. Olha para trás todo o caminho percorrido, os cumes, as montanhas, o longo e sinuoso caminho aberto através de selvas e povoados, e vê diante de si um oceano tão grande, que entrar nele só pode significar desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira, o rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar atrás é impossível na existência. O rio precisa aceitar sua natureza e entrar no oceano. Somente entrando no oceano se diluirá o medo, porque só então saberá o rio que não se trata de desaparecer no oceano, mas de se tornar oceano.”
Khalil Gibran
(1883-1931)
CAPÍTULO V: "Evolução e Renascimento" Pág. 106
Wednesday, August 26, 2026
Intimidades reflexivas - 1978
Provérbio Árabe
Não digas tudo o que sabes
Não faças tudo o que podes
Não acredites em tudo o que ouve
Não gastes tudo o que tens
porque:
Quem diz tudo o que sabe,
Quem faz tudo o que pode,
Quem acredita em tudo o que ouve,
Quem gasta tudo o que tem;
Muitas vezes diz o que não convém,
Faz o que não deve,
Julga o que não vê,
Gasta o que não pode.
Tuesday, August 25, 2026
Foi à 36 anos o incêndio no Chiado
Passam hoje 36 anos sobre o grande incêndio do Chiado em Lisboa que, ao que parece, terá começado nos Armazéns Grandella. Nesse dia encontrava-me em Lisboa. Como sabem trabalhei durante muitos anos no Grupo Vista Alegre que tinha a sua sede nesse tempo no Largo Barão de Quintela - que os lisboetas conhecem melhor pelo Largo dos Bombeiros - ali paredes meias com o Chiado. O incêndio começou a tomar proporções inabituais e em determinada altura, (perante a preocupação de quem ali trabalhava), foi dada indicação para evacuar o edifício. Aproveitei para rumar ao Porto pensando que poderia ter saído do edifício pela última vez. Felizmente não foi assim, embora o Chiado tenha ficado reduzido a cinzas. Hoje já depois da reconstrução, nota-se que o velho Chiado tinha morrido para sempre. O Chiado de Eça e de Pessoa não voltaria jamais. Hoje com um aspeto bem mais moderno, com algumas fachadas recuperadas, respira-se um outro ar, num outro tempo. Mas aquele Chiado histórico tinha acabado definitivamente.
Monday, August 24, 2026
Dois anos de saudade
Passam hoje 2 anos sobre aquele dia em que uma terrível notícia desabou sobre mim. Era sábado, cerca da uma da tarde, preparava-me para ver as notícias e tinha o computador aberto. Quase se supetão aparece a notícia do falecimento da minha querida amiga Sofia Flor Rocha. De tão inesperada nem queria acreditar. Tinha falado com ela na noite anterior, de madrugada contactei-a, como era habitual, e não obtive resposta. Ainda atribui isso a alguma farra com amigos em Braga para onde ela tinha ido, segundo me disse. Depois foi o silêncio, pesado, duro. A Sofia tinha-nos deixado. Muitas conversas por ter, alguns projetos à espera de concretização, como sempre acontece nestas circunstâncias. Uma boa amiga tinha partido, vítima de brutal acidente de viação. E o vazio instalou-se. As saudades começaram logo ali. E ainda não terminaram. Glosando uma canção de Abrunhosa que ambos gostávamos, apetece-me dizer-te que "fui ter contigo aos Aliados" mas tu não apareceste. Talvez um dia, quem sabe. Lá onde estiveres, descansa em paz, Sofia!
12 anos de ausência da Tuxa
Passam hoje 12 anos sobre a morte da minha grande companheira Tuxa, ela que foi a mãe adotiva de outro grande cão, o Nicolau. Mais uma resgatada à rua, que vimos ser abandonada, e a que não ficamos indiferentes. Sempre se mostrou muito agradecida a quem a salvou dos perigos do abandono. Foi uma grande companheira e uma mãe extremosa. Morreu depois de percorrer uma longa vida e com um problema numa vista que a foi debilitando. Um cancro irreversível que não admitia cirurgia. Morreu no jardim, no seu local preferido onde passava muitas horas do dia. O seu filho adotivo, Nicolau, assistiu aos seus últimos momentos e não ficou indiferente. Durante cerca de um ano, a primeira rotina da manhã era para ir visitar a sua sepultura. Por vezes, ficava lá deitado durante algum tempo. Depois o tempo foi esbatendo a ausência e compensou essa perda com a nossa companhia. Mais tarde ele seria sepultado ao seu lado. Já passaram 12 anos sobre o seu desaparecimento. Lá onde estiveres que estejas em paz, Tuxa!
Sunday, August 23, 2026
O lobo...
O lobo não precisa provar que é útil para merecer existir. Não precisa se justificar perante nós, nem trazer benefícios econômicos, nem pedir permissão para ocupar o território que, durante milhares de anos, compartilhou com o resto das espécies. Seu direito de viver não depende do que possa nos dar, mas de algo muito mais simples e profundo: faz parte da natureza e tem direito a continuar fazendo parte dela. Há mais de meio século, o Grupo de Especialistas em Lobos da UICN já o expressou com clareza: o lobo, como todo animal selvagem, tem direito a existir em seu estado natural e a coexistir connosco como parte integrante dos sistemas ecológicos. Em 1973, já se compreendia algo que, até hoje, alguns se recusam a aceitar. O lobo não é uma peça que possamos eliminar quando incomoda, nem uma ferramenta que devamos conservar apenas quando nos é útil. É um predador essencial, uma peça do equilíbrio ecológico e um símbolo de uma natureza que ainda preserva algo de liberdade. Proteger o lobo não é lhe fazer um favor. É assumir nossa responsabilidade. Porque, quando uma sociedade precisa encontrar razões para permitir que uma espécie selvagem continue vivendo, talvez o problema não esteja no lobo. Talvez esteja em nós.
Saturday, August 22, 2026
Morre aos poucos...
Morre aos poucos quem se transforma em escravo da rotina, repetindo todos os dias os mesmos passos, quem evita a aventura, quem se sente infeliz no seu trabalho, quem não arrisca, quem não luta pelos seus sonhos, quem não viaja, quem não lê, quem não escuta música, quem destrói sua autoestima, quem não se deixa ajudar, quem cai em um vício, quem mantém um relacionamento de casal tóxico, quem passa os dias lamentando sua má sorte, queixando-se da chuva, do frio, do calor, do barulho, de tudo...







