Turma Formadores Certform 66

Friday, May 01, 2026

Viva o 1º de Maio!

Mais um 1º de Maio se celebra, o 52º em democracia. E como já vai longe esse outro 1º de Maio em que tudo parecia remar no mesmo sentido, ainda sem grandes clivagens políticas e ideológicas visíveis. O 1º de Maio remonta a um tempo ainda mais recuado. A celebração tem a ver com o que se passou no dia 1 de Maio de 1886, quando uma greve foi iniciada na cidade norte-americana de Chicago, com o objetivo de conquistar melhores condições de trabalho, principalmente a redução da jornada de trabalho diária, que chegava a 17 horas, para oito horas. Aquilo que hoje parece básico para qualquer um de nós - independentemente da ideologia - era algo anacrónico no século XIX. Aquilo que hoje ninguém põe em causa, era considerado como algo perigoso e revolucionário nesse tempo. Um tempo em que ainda não se falava tanto de comunismo, coisa que as pessoas nem sabiam bem o que era. Assim, a celebração se foi mantendo e o seu simbolismo também para servir de exemplo a outras pessoas, povos e nações dum outro tempo. Mais tarde foi conotado com o comunismo - embora isso não seja totalmente correto, tal asserção carece de ser clarificada - mas, mesmo com alguma confusão ideológica à mistura, a data deve ser celebrada. Em muitos regimes esta data é utilizada como bandeira ideológica, noutras como algo perigoso (tal como no longínquo século XIX) e é fortemente reprimida. Sei bem o que acontecia entre nós antes da democracia, quando as pessoas se queriam manifestar neste dia. Sei bem como grupos de jovens estudantes sem ideologia alguma bem definida, eram perseguidos, espancados e presos, só porque se queriam manifestar. Sei bem o que isso era porque cresci nesses tempos de escuridão que espero não voltar a ver no tempo que me resta de vida. (Embora andem por aí alguns saudosistas que já nasceram em liberdade e nem sabre o que uma ditadura implica). E eu - como tantos outros - nunca fomos comunistas, se calhar nessa altura, nem sabíamos bem o que era a referência ideológica, mas isso não significava que não sofrêssemos a brutal repressão dum regime moribundo, nós que apenas queríamos ver um Portugal igual a tantos outros países que conhecíamos para lá dos Pirenéus e não a aldeia miserável, pobre e analfabeta que era a nossa imagem de marca no mundo. Hoje em liberdade, os mais jovens nem sabem o que isto significava à 52 anos atrás e os riscos que corríamos. Para eles é mais um feriado e um dia de festa, mais do que de ideologia, se essa ainda está presente. Curiosidades dos tempos e da História, mas que mesmo isso não sirva de pretexto para a sua não celebração. É importante que este dia não seja esquecido no que de bom e de trágico encerra. Viva o 1º de Maio!

Thursday, April 30, 2026

A melhor parte...

“A melhor parte da vida de um homem bom são os seus pequenos atos de bondade e amor, anónimos e esquecidos.”

William Wordsworth

Wednesday, April 29, 2026

É possível...

"É possível atravessar um oceano sem molhar as pernas, mas é impossível atravessar a vida sem molhar os olhos."

Jacques Chardonne

Tuesday, April 28, 2026

A espera...

“A espera é dolorosa. O esquecimento é doloroso. Mas o pior sofrimento é não saber o que fazer.”

Paulo Coelho

Monday, April 27, 2026

Enquanto adormeço...

Enquanto adormeço, ouço-te chamar-me num crescendo que se desvanece.

Sunday, April 26, 2026

"A Livraria dos Segredos" - Kerry Barrett

1938. Em busca de um recomeço depois da morte do pai, Lara Hope chega a Lisboa à procura de uma família que nunca conheceu. Com a guerra a assolar a Europa, Lara encontra refúgio e sentido de pertença na tranquila livraria da sua senhoria, num dos recantos mais bonitos da cidade. Porém, ao reparar num cliente a trocar secretamente um livro por outro, apercebe-se de que a livraria não é apenas uma loja. Lara mergulha então num mundo labiríntico de mistério e dissimulação, encontrando novos amigos, um romance inesperado e até mesmo a realeza… Estará ela realmente preparada para arriscar tudo por uma nova vida? Mistério, romance e amizade num livro inspirador que desvenda os meandros do mundo da espionagem da Lisboa da Segunda Guerra Mundial. Sobre a autora, Kerry Barrett é uma escritora e jornalista inglesa. Durante mais de uma década, trabalhou como editora na revista All About Soap, escreveu sobre séries de culto como EastEnders, Coronation Street e Emmerdale, e continua a trabalhar para vários sites ligados à televisão e ao entretenimento. Vive em Londres com o marido e os dois filhos. A edição é da Penguin.

Saturday, April 25, 2026

52 anos depois

Era então uma noite fria de Abril. Uma noite igual a tantas outras. A rádio ia debitando a música de então, até que surgiu algo inesperado. Canções que estavam proibidas pelo regime anterior começaram a soar. "Grândola, vila morena" era uma delas. Que estava a acontecer. Quem saiu cedo, madrugada fora para ir trabalhar, percebeu que estavam a acontecer movimentações que não eram usuais. "E depois do adeus" soltou as amarras. Os militares estavam na rua. Algo estava a acontecer. Era um jovem estudante nesse tempo, e quando passei para os meus estudos vi muita tropa posicionada nas ruas e junto à câmara do Porto. Quando cheguei à instituição que então frequentava logo ouvi falar em revolução, mas nada se sabia de concreto. No Porto, só à tarde é que tivemos a confirmação do que estava a acontecer. Ainda não havia a velocidade da internet. Os estudantes e muito do seu corpo docente juntaram-se à festa. Depois foi o povo. E Abril saiu à rua. Gente desempoeirada, feliz, que falava de tudo e de nada, que simplesmente queria falar fosse do que fosse, gente ávida de Liberdade. Gerações forçadas a um silêncio esmagador tentavam agora sofregamente respirar Liberdade. Ao fim deste dia havia a confirmação de que o regime fascista tinha caído. E todos respiraram de alívio. Mas a estrada que se abria e que parecia plana e de veredas verdejantes afinal era escarpada, cheia de escolhos que feriam o caminho. Mas 52 anos volvidos, valeu a pena. E agora que forças extremistas de direita têm como propósito destruir o regime e a Democracia, é tempo de cerrar fileiras como à 52 anos atrás e evitar o retrocesso que aconteceria a este país se tais pessoas assumissem o poder. Começa-se pelo mais básico, a entrada nos órgãos de soberania, depois põe-se em causa a Constituição, 50 anos depois da sua aprovação, e quiçá, mais tarde, o poder. Recorram à História e vejam o que aconteceu na estratégia tolerante dos alemãs face aos nazis de Hitler, ou dos italianos face aos fascistas de Mussolini. Costuma dizer-se que a História se repete, mas eu acrescentaria que nunca da mesma maneira. Mas por isso temos que estar vigilantes. As nuvens negras pintam o horizonte mas sejamos o vento que as varre do céu. Viva a Liberdade! Viva a Democracia! Viva o 25 de Abril!