Turma Formadores Certform 66

Monday, April 06, 2026

Entre as páginas...

Entre as páginas de um livro é um lugar encantador.

Sunday, April 05, 2026

Domingo de Páscoa

Estamos chegados à Páscoa, à passagem, no seu sentido etimológico. Mas que passagem? A de uma vida para outra, - seja ela num outro mundo, (dentro da crença judaico-cristã e não só), seja neste, mudando de modo de viver e estar na vida face ao mundo em redor -, desde que tenhamos a capacidade, a força, a vontade de mudança. E aqui quase sempre não é assim. Porque continuamos a fazer o mesmo, senão pior, num mundo desalinhado onde os valores não existem, apenas o dinheiro é rei e lei. Em nome dele se mata, se rouba, se comercializa enganadoramente, enfim, o nosso pior vem ao de cima. E é sobre este lado mais obscuro e negro do ser dito humano que vos quero falar agora. Porque durante estes dias que antecedem o domingo de Páscoa, eles são um autêntico calvário para os animais. Todos sabem da minha ligação aos animais, mas para além disso, o que mais me choca é a hipocrisia de quem diz defendê-los e depois os abate, - ou compra para consumo, o que vai dar no mesmo -, em nome duma tradição sem sentido. Porque em nome dum Deus, - que nós reduzimos à condição de menor -, se fazem estas coisas. Interrogo-me, que Deus precisa do sacrifício de pobres inocentes que, segundo a tradição, Ele criou? Não faz nenhum sentido, como já não fazia quando estes sacrifícios não eram de animais mas de seres humanos. Apenas "alteramos" as preferências desse Deus, porque nos era conveniente. Apenas e só por isso. (Isto traz-me de novo à memória aqueles que dizem defender os animais, - porventura, até o fazendo -, mas o seu conceito de animal fica-se pelo cão ou pelo gato, esquecendo que existem muitos outros tão sensitivos como eles, - e já agora, como nós -, já para não falar nas aves que enobrecem os céus ou nos peixes que povoam os mares). Sempre me impressionou aqueles defensores dos animais - porque dos outros já espero tudo - que se sentam à mesa com uma peça de carne para refeição. Não sou fundamentalista, nesta como noutras matérias, apenas pretendo ser coerente. Porque a Páscoa devia ser, de facto, uma época de reflexão, de passagem, de mudança, para algo melhor e bem diferente daquilo que foi a nossa vida anterior. Mas não, porque a Páscoa para a maioria das pessoas, - como outras festividades marcantes do calendário -, não passa dum vetusto almoço e/ou jantar, esgotando-se aí todo o seu simbolismo. Sei que quando se compra uma peça de carne num hipermercado, apenas vemos isso mesmo, o pedaço de carne, e quando o confecionamos e comemos também, não conseguimos pensar, - ou não queremos pensar porque nos incomoda -, no sofrimento atroz que está por detrás dessa mesma peça de carne. Um ser vivente, com sentimentos iguais aos nossos, que sente frio e calor, medo e angústia, felicidade e infelicidade, está ali, uma parte dele, para que alguns se regalem com o que resta do seu cadáver. Nunca consegui perceber, aqueles que se horrorizam quando se fala de canibalismo. Será porque significa que é um nosso semelhante que ali está? Como nunca consegui entender, aqueles que se sentem horrorizados quando doutras partes do mundo se veem homens e mulheres, tão humanos quanto nós, a matar e a confecionar cães e gatos. Vejo até apelos a Deus - certamente o mesmo que quer, (ou que nós queremos), encharcar-se em sangue nas festividades - para que extermine esses povos. Tudo não passa duma hipocrisia inconsequente. O que deveriam era irem visitar um dos nossos matadouros, - fazendo o percurso desde que o pobre animal chega até que sai retalhado aos pedaços -, para ver o que lá se passa. Provavelmente, como diz Paul McCartney, "se os matadouros tivessem paredes de vidro, como os bancos, nunca mais ninguém comeria carne na vida". Mas até que cheguemos a esse estado de perfeição, continuaremos a abatê-los, quando mais não seja, em nome dum qualquer Deus menor, imperfeito, sanguinário, destruindo a sua própria criação. Esta é mais uma incongruência da nossa espécie que por onde passa apenas deixa um rasto de destruição e de morte. Afinal, se fomos capazes de matar o Filho de Deus, - como rezam as Escrituras -, como nos poderemos importar com questões tão prosaicas como esta? Até haverá quem me lembre que sempre se sacrificaram animais nestas festividades, desde tempos imemoriais e bíblicos. É verdade. Mas, por outro lado, isso sempre me trás à lembrança aqueles tetrarcas e sacerdotes de Jerusalém que apelavam aos sacrifícios de animais que as pessoas tinham que comprar nas suas próprias quintas. A hipocrisia também é uma senhora muito antiga, mesmo anterior aos tempos bíblicos! Novamente, desejaremos uma Páscoa feliz e de paz. E assim ficaremos de consciência mais leve. Mas que felicidade se tem na morte dum outro ser? Que paz é essa que apregoamos? Só se for a dos cemitérios, ou melhor, da mesa farta e cheia de restos de cadáveres. Essa não é, seguramente, a minha Páscoa. Esse não é o meu Deus a quem venero. Pode ser a Páscoa de muitos, mas não a minha. Há quem me acuse de ter uma visão negra das coisas nestas festividades, mas coloquem-se na pele desses pobres infelizes, e depois digam-me como se sentiriam. Por isso, nesta Páscoa quis aqui dar voz a todos aqueles que não a têm, que são sacrificados à gula de muitos. Porque deles é o simbolismo do melhor dos mundos, que não conseguimos ter, que não somos dignos de merecer. Boa Páscoa a todos!

Saturday, April 04, 2026

Sábado Santo ou Sábado Aleluia

Na minha juventude o dia de sábado era chamado de Sábado Aleluia! E porquê? Porque a meio da manhã, já se dizia que Jesus tinha ressuscitado e havia alegria nas casas, música e sorrisos. Até os sinos já se faziam ouvir ao longe. Era o prenúncio do domingo onde se celebrava em família a Páscoa. (É preciso não esquecer que Jesus era de origem judaica onde o sábado era o 'Sabbath do Senhor', o dia maior. O domingo era, e continua a ser, um dia normal como tantos outros). Os tempos foram mudando e então o Sábado Aleluia passou a ser o dia do silêncio e da esperança redentora. Jesus estava morto no seu túmulo e só ressuscitaria à meia noite. (Coisas que o calendário litúrgico instaurou um pouco à revelia dos costumes de então). Contudo, e apesar destas alterações que a Igreja introduziu, o sábado que antecede o domingo de Páscoa sempre foi para mim um dia de recolhimento. Sentia-o assim e ainda hoje o sinto. Era o dia de introspeção, de meditar na minha caminhada na vida, do que fui até hoje e do que pretendo ser amanhã até que o meu tempo se escoe. Um dia de silêncio como aquele que se segue à morte de alguém muito próximo. O repouso de quem partiu, a dor de quem ficou. Era o dia em que as trevas ainda se mostravam vencedoras desde o dia anterior, embora em breve fossem substituídas pela luz redentora. A dor inimaginável, o sofrimento sem par, a ignomínia dum poder instituído que utilizou os mecanismos mais cruéis para aniquilar um justo. Tal qual como ainda hoje se faz sentir e cada vez duma forma mais evidente. Como esses tempos de à mais de dois mil anos são replicados no nosso mundo atual! Quanta dor, quanto sofrimento infligido a uma pessoa só porque ela não alinha pelos padrões vigentes e temporais - por isso, efémeros - padrões que não aceitam a diferença de opinião ou outra. Talvez este sábado - o do silêncio mas também da esperança - seja um bom ponto de partida para uma introspeção. Se pensarmos bem, afinal a diferença temporal, embora larga, não mudou assim tanto as mentalidades. E os justos serão (quase sempre) as vítimas preferenciais. Mas no fim o túmulo estará vazio - e como sempre acontece - a luz destruirá as trevas. Mais cedo ou mais tarde a luz triunfa sempre.

Friday, April 03, 2026

Sexta feira Santa

Nesta caminhada para a Páscoa, tenho sempre como referência a Sexta Feira Santa e o Domingo de Páscoa, - o Domingo Aleluia - como se dizia em tempos de antanho. Se na quinta feira se celebra a última ceia, naquilo que é a despedida de Jesus dos seus discípulos, na sexta feira é todo um dia marcado pelo mais forte simbolismo. É a prisão e o consequente processo de Jesus que o levará à condenação, à flagelação e à morte mais horrível que a mente humana concebeu, a morte de cruz. Nesse horrível sacrifício, os condenados poderiam estar a agonizar durante vários dias, dependendo da sua condição física quando chegasse esse momento. Jesus morreria, segundo os Evangelhos, pelas três horas da tarde, o que significa que a sua agonia foi rápida. Muitos pensadores põem em causa esta tão rápida morte, mesmo sabendo que ele teria sido terrivelmente flagelado. Os chicotes na época para este tipo de tortura tinhas nas pontas uma espécie de gancho revirado ou osso o que fazia que quando era retirado do corpo rasgava a carne dos condenados. Também sabemos que quando se aproximava o fim, (ou para o acelerar), os soldados romanos quebravam os ossos das pernas dos condenados para que o corpo ficasse pendurado para que a asfixia fosse mais rápida. (Os crucificados acabavam todos por morrer de asfixia). Mas, ainda segundo os Evangelhos, os ossos de Jesus não teriam sido partidos. Como a sua agonia foi rápida pensasse que a sua debilidade física era extrema. Durante muito tempo, ainda dentro de algum misticismo de épocas transatas, se dizia que o céu se tinha toldado a quando da morte de Jesus. Hoje sabe-se, - e os estudos mais recentes mostram -, naquela altura ter-se-ia dado um eclipse que, segundo a tradição, teria decorrido de cerca do meio dia até às três horas da tarde. É um espaço largo para um fenómeno celeste deste género, o que pode indicar algum exagero do evangelista. E então porque é que Jesus foi crucificado? Muitas teorias têm sido expostas, visto a crucificação estar reservada aos maiores criminosos ou a agitadores políticos. (É preciso não esquecer que nesta época, política e religião andavam de mãos dadas). Como Jesus não era um criminoso, logo leva a pensar que seria por questões políticas vs. religiosas que viria a sofrer tão terrível suplício. Aliás, sabemos que Jesus se opunha, em alguns aspetos, à lei judaica antiga e à ocupação da sua terra pelos romanos. Os dois outros condenados que foram supliciados com Jesus, e que foram sempre associados a dois ladrões, hoje é consensual que eram eles também agitadores políticos anti ocupação romana, que fariam parte duma seita que passou à História com o nome de 'Ḥaxāxīn', (que gerou o termo 'Assassinos' que, segundo alguns, ainda existe) o que conduziu talvez à descaracterização da História. Estas clarificações que os tempos modernos nos vão revelando, não escondem duas coisas: a primeira, o terrível suplício que era a crucificação; e, segundo, o inenarrável sofrimento dum Homem, - Jesus como outros que antes e depois o sofreram - pela libertação dum povo e a criação dum dos maiores movimentos religiosos da História. Jesus sofreu mais porque era um Homem esclarecido face a um povo idólatra e inculto, e Roma não podia permitir isso. É esse sacrifício terrível que hoje celebramos em Sexta Feira Santa, que para além do seu simbolismo religioso representa também a luta pela liberdade dum povo escravizado, antes no Egito, - os judeus são um povo de diáspora - depois na sua própria terra.

Thursday, April 02, 2026

A vida...

A vida não tem idade. A verdadeira juventude nunca se desvanece. Podemos chamar-lhe memória, podemos dizer que desaparece, podemos dizer e querer dizer que tudo se esvai, mas tudo o que é verdadeiro permanece.

Jacques Prévert

50 anos da Constituição da República Portuguesa

Passam hoje 50 anos sobre a aprovação da Constituição da República Portuguesa texto basilar da nossa Democracia.

Quinta feira Santa

Quinta feira Santa é o dia do lava pés, mas também, o dia da última ceia, o dia em que a traição se esboça. A traição, sempre cobarde e imprevisível, a que se seguirá a tortura e a morte sofrida por um Homem justo, um Homem corajoso. Em nome deste Homem se sacrificam nestes dias milhões de animais, que a coberto duma falsa tradição e religiosidade, apenas expõem a gula de muitos para quem a vida do outro nada vale. Será isto que este Homem justo de à dois mil anos queria? Certamente que não. O Homem que mais celebrou a Vida não aceitaria a morte como troféu. Esqueçam a tradição que apenas serve para apaziguar as consciências. Celebrem a Vida e não a morte.


Wednesday, April 01, 2026

És o fantasma...

 És o fantasma no espaço entre o nunca e o para sempre.

Tuesday, March 31, 2026

Parabéns, J.S.Bach!

Também hoje se celebram os 341 anos do nascimento do compositor alemão Johann Sebastian Bach. Ele também foi um dos influenciados pelo pensamento de Descarte, que é bem patente no rigor matemático das suas composições. Bach foi um dos maiores compositores da história da música. Um músico prolifico que nos deixou uma obra imensa de grande qualidade. Uma obra que convido todos a (re)descobrir. Parabéns, J.S.Bach!

Parabéns, René Descartes!

Passam hoje 430 anos sobre o nascimento do grande filósofo francês René Descartes. Para além de filósofo foi físico e matemático. Ficou célebre a sua frase 'cogito ergo sum'. Foi o fundador da filosofia moderna. Foi o homem que cultivou o pensamento metódico que o acompanhou até ao fim da sua vida. Era conhecido por seu nome latino Renatus Cartesius daí o chamarmos o fundador do cartesianismo. Ainda hoje a sua influência preenche o nosso quotidiano. Para quem quiser saber mais sobre a sua vida e obra aconselho um volume da série Filosofia editado pela National Geographic que utiliza uma linguagem mais acessível ao grande público não iniciado nesta temática. Parabéns, René Descartes!

Não é o sexo...

 Não é o sexo que dá prazer, mas sim o amor.