Turma Formadores Certform 66

Saturday, January 31, 2026

Revolta de 31 de Janeiro de 1891

Passam hoje 135 sobre a Revolta de 31 de Janeiro de 1891. Foi o primeiro movimento revolucionário que teve por objetivo a implantação do regime republicano em Portugal. A revolta teve lugar na cidade do Porto. Neste dia 31 de Janeiro de 1891, na cidade do Porto, registou-se um levantamento militar contra as cedências do Governo (e da Coroa) ao ultimato britânico de 1890 por causa do Mapa Cor-de-rosa que pretendia ligar, por terra, Angola e Moçambique. A revolta não teve sucesso, mas o embrião da República teria aqui o seu impulso.

Friday, January 30, 2026

Intimidades reflexivas - 1960

"⁠Não escolhemos os outros ao acaso. Encontramos aqueles que já existem em nosso inconsciente." - Sigmund Freud (1856-1939)

Thursday, January 29, 2026

A beleza...

A beleza da escuridão reside no seu misterioso abraço ao desconhecido.

Wednesday, January 28, 2026

Após vidas inteiras...

Após vidas inteiras de busca,

carregando-se mutuamente como preces quase esquecidas,

duas almas ancestrais encontram finalmente o caminho para casa.


Não por acaso,

mas por uma devoção que se recusou a esquecer.

Por um amor que perdurou através de séculos de silêncio,

através de corpos e nomes que mudaram,

através de mundos que surgiram e desapareceram.


Encontram-se não com surpresa,

mas com reconhecimento —

um silencioso "aqui estás tu",

como se o próprio universo estivesse a suster a respiração

esperando que se voltassem a tocar.


E neste reencontro reside um voto mais antigo que o tempo:

Eu sempre fui tua.


Eu serei sempre tua.

Tuesday, January 27, 2026

Nos 81 anos de Auschwitz-Birkenau

Passam hoje 80 anos após a chegada das tropas soviéticas (hoje russas) ao campo de concentração de Auschwitz- Birkenau. Depois da maior escuridão que a Humanidade conheceu nos tempos modernos, o raiar dum novo dia, com mais esperança estava prestes a surgir. Ainda hoje nos chocam as imagens de horror do que se passou nesse campo, que era apenas um dos mais de 13 mil que os nazis tinham ao serviço da sua máquina de morte. Apesar do muito que passaram ainda existem alguns sobreviventes desse campo de morte. "Arbeit macht frei" (O trabalho também liberta) era o lema desse horrendo campo de morte que se lê logo à entrada do campo. (E quantos outros não existirão por esse mundo fora sem que o saibamos, sem publicidade, porque esta pode por em causa outros desígnios). Auschwitz foi um símbolo. Um símbolo de tudo aquilo que o ser dito humano é capaz de fazer ao seu semelhante. 81 anos passaram. A memória essa fica para sempre. Porque não se pode esquecer o que lá se aconteceu. Para que não mais se volte a repetir. Se não visitaram este campo de morte, - hoje transformado em destino turístico -, e se tiverem possibilidade de o fazer, não deixem de passar por lá. Para além, dos jardins mais ou menos tratados e das árvores silenciosas, lembrem-se que não à muitos anos a bestialidade humana andou por ali. Façam silêncio e orem por todos os que encontraram a tortura, o trauma para a vida, a violação, a morte. Que nunca mais imagens dessas passem pelo nosso imaginário mais profundo. É preciso ter memória, não esquecer, sobretudo nos dias de hoje em que forças do mesmo teor se perfilam na Europa e não só. Seja na Ucrânia ou na Faixa de Gaza. Seja na Argentina ou no Chile para onde muitos nazis fugiram após a derrota, A Europa é um símbolo de liberdade e não pode permitir que forças dessas voltem ao poder. Num tempo em que os autoritarismos levantam a cabeça, mesmo no nosso país, é bom refletir sobre tudo isto. União é necessária. Como é costume dizer-se, unidos somos mais fortes.

Monday, January 26, 2026

Acordei...

Acordei no meio do silêncio e do peso da perda. As minhas asas estavam decepadas, a minha fuga desaparecera, a pedra erguia-se onde antes o céu me respondia. Ele chamava-lhe amor. Aprendi então que a imortalidade não é liberdade, apenas uma pena mais longa.

Sunday, January 25, 2026

Às vezes...

Às vezes, quero fugir e não consigo decidir se quero fugir para ti ou de ti.

Saturday, January 24, 2026

Intimidades reflexivas - 1960

"Dois homens olharam através das grades da prisão; um viu a lama, o outro as estrelas." - Santo Agostinho (354-430)

Friday, January 23, 2026

Tenho tanta coisa...

 …Tenho tanta coisa para te dizer que receio não te dizer nada.

Thursday, January 22, 2026

36 anos de memórias

Passam hoje 36 anos sobre a morte da minha avó materna e madrinha Margarida. Era uma daquelas mulheres do norte de rija têmpera, uma mulher de antes quebrar que torcer. Dela recordo o amor incondicional que me devotou desde a minha infância mais precoce. Era ela a verdadeira matriarca. Era quem me levava e ia buscar à escola, me incentivava nos momentos mais complicados, sempre com aquela firmeza que era seu apanágio. A ela, e ao meu avô, seu marido, devo tudo o que sou. Bom ou mau sou esta pessoa moldada no cadinho do tempo formatado pela educação firme e rígida que era apanágio desse tempo, mas sempre rodeado dum amor incondicional que nunca faltou. Nasci na casa deles, numa altura em que os partos eram feitos em casa, e sempre vi neles os meus segundos pais, os verdadeiros pilares da minha maturidade. Hoje passam 36 anos sobre o seu desaparecimento, mas a memória fica, porque pessoas dessa dimensão a quem devemos tudo, não podem ficar esquecidas na poeira do tempo. Hoje é dia de celebrar a sua memória e de colecionar um punhado de tantas outras que se estendem ao longo do tempo. Lá onde estiveres que estejas em paz, avó Margarida!

Wednesday, January 21, 2026

Nos 40 anos de adesão à UE

Passam hoje 40 anos da adesão de Portugal à UE e que grande é a diferença do nosso país de 1986 para hoje.

A música...

“A música dá alma ao universo, asas à mente, voo à imaginação e vida a tudo.”

Platão

Tuesday, January 20, 2026

O meu desejo...

“O meu desejo é permanecer sempre assim, vivendo tranquilamente num recanto da natureza.”

Claude Monet

Monday, January 19, 2026

Crónica de José Pacheco Pereira

"O que acontece hoje aos imigrantes aconteceu connosco há bem pouco tempo. Mas com vantagem dos portugueses, por serem brancos e católicos, e não “monhés” e muçulmanos", escreve José Pacheco Pereira no Público

"Como a memória é uma coisa muito frágil — entre outras razões, porque ter ou não ter memória é uma questão central da política —, vale a pena revisitar memórias que nos ajudam muito a perceber o que se passa nos nossos dias com a questão da imigração.
O título deste artigo é deliberadamente provocatório, mas a razão por que provoca é conter uma memória incómoda, a do facto de que também os portugueses foram um povo de emigrantes durante grande parte dos últimos 150 anos. E o que acontece hoje aos imigrantes aconteceu connosco há bem pouco tempo. Não foi sempre o mesmo, nem sempre para os mesmos locais de destino, mas com vantagem dos portugueses, por serem brancos e católicos, e não “monhés” e muçulmanos. E também porque o panorama político era diferente e isso moderava de algum modo a hostilidade aos imigrantes. Havia os émulos dos negreiros alentejanos, dos polícias comprados, das redes clandestinas das duas nacionalidades, a de cá e a de lá, mas não havia Trump, nem Musk, nem AfD, nem Vox, nem Chega, com a relevância e força que têm hoje. Havia pieds-noir e retornados, mas moviam-se numa franja percebida pela opinião como radical e minoritária.
Mas muita coisa era comum, a começar pela motivação da emigração — simplesmente viver melhor, quer nos que foram, quer nos que ficaram, unidos pelo laço das remessas para Portugal. Essa é uma motivação digna, que hoje vilipendiamos por todos os meios, porque a maldade, a falta de empatia fazem parte de vários programas políticos e da conversa mesquinha de café que hoje alimenta as redes sociais.
Por isso, convém lembrarmo-nos das centenas de milhares de portugueses que de mala à cabeça atravessaram ilegalmente duas fronteiras para, no nosso exemplo escolhido, a França, chegar aos bidonvilles dos arredores de Paris e trabalhar no duro, principalmente no “batimento”, na construção civil. A inspiração para este artigo foi abrir uma mala, uma valise de carton, que pertence ao espólio de José Carlos Ferreira de Almeida que se encontra no Arquivo Ephemera, um pioneiro do estudo da emigração. Essa mala contém uma das fontes do seu trabalho, muitas centenas de recortes de jornais portugueses, do Algarve a Trás-os-Montes, sobre os anos mais duros da emigração para França, a primeira metade da década de 60.
O que nos dizem esses recortes que, convém não esquecer, passaram na censura? Que há tanta coisa de parecido com tudo o que é o actual discurso anti-imigrantes, um dos mais fortes pontos programáticos do Chega para o Governo, nos últimos anos! Eu disse “parecido”, não disse igual, a começar, porque hoje a situação é pior, há atitudes idênticas, há problemas idênticos, há hostilidades idênticas, há racismo idêntico, mas sempre em pior. A intensidade da hostilidade aos “outros”, fosse aos pobres lavradores portugueses com as mãos encardidas e com os fatos coçados, seja aos jovens escuros com a mochila às costas e que nas sextas-feiras rezam na rua, é hoje, no segundo caso, muito mais forte e popular.
O que é que nos dizem os recortes? Muito de semelhante, que a exploração dos emigrantes começava em Portugal com os engajadores e prolongava-se em França com as redes de habitação e emprego organizadas por franceses. Que passavam as fronteiras “vestidos com dois pares de calças e camisas”, a roupa que se levava. Que se podia ter como habitação “uma carrinha que é quarto de dormir de 17 pessoas”, que havia uma máfia luso-francesa na exploração das barracas, que a emigração clandestina é um terreno ideal para o crime. Que a situação era pior para as mulheres, como de costume:
“Muitas dessas raparigas fogem para França. Sujeitam-se aos dramas da clandestinidade. Entregam-se aos gangster-engajadores. Estes roubam-lhes tudo: dinheiro e honra. Muitas chegam grávidas e despojadas de tudo quanto tinham”, escrevia o Comércio de Portimão, em 1966.
Que a vida na emigração era de “sofrimentos, injustiças e andanças várias”, assentes na exploração do trabalho dos portugueses que ganhavam mais em França do que em Portugal, mas muito abaixo dos franceses para o mesmo trabalho, sem regras, nem horários. Que para obterem um documento esperavam sete horas (hoje é pior), tendo de se deslocar centenas de quilómetros, com a polícia francesa à perna. E que os franceses olhavam para os portugueses como os habituais feios, porcos e maus, que, para espanto dos franceses, assavam uma sardinha em papel de jornal, escreve o Jornal do Comércio. O livro de Nuno Rocha publicado em 1965 tem um título que diz tudo: França, A Emigração Dolorosa.
Esta era a informação que chegava a Portugal, mas, à medida que começa um outro padrão da emigração, o dos exilados que fugiam à guerra, com a crescente presença de organizações da esquerda e o interesse das centrais sindicais e partidos políticos franceses, acumulou-se informação mais concreta sobre as condições de vida e trabalho dos imigrantes, que não tinha censura. Com excepção das organizações da Igreja que acompanhavam os imigrantes nas suas “missões”, as instituições da ditadura, como sempre, pouco faziam pelos emigrantes, que, em vez de irem colonizar Angola e Moçambique, fugiam ilegalmente para França. Mas gostavam das remessas dos emigrantes. É por isso que a falta deliberada de memória esconde a pior das hipocrisias".
O autor é colunista do Público

Foto do arquivo Ephemera, mostrando emigrantes portugueses nas barracas de um bidonville em Champigny.

Sunday, January 18, 2026

Talvez um dia...

Talvez um dia a luz interior brilhe em nós. E então não precisaremos de mais nenhuma luz.

Johann Wolfgang von Goethe

Saturday, January 17, 2026

A minha alma...

A minha mente está cheia de ti. Nos momentos de silêncio, a sua presença permanece, provocando um arrepio quente em vez de palavras. Despertas sentimentos que não consigo nomear, uma chama suave, um desejo delicado que fica, intensificando-se de cada vez que penso em ti.

Friday, January 16, 2026

Nature - RIP, Buddy!

Buddy esboçou um último sorriso terno para o lugar onde a sua história começou. Há dez anos, Sam encontrou-o ali — um pequeno rafeiro trémulo, encharcado de areia, escondido sob o cais. As suas costelas pressionavam a pele fina, o seu corpo estava cansado, mas os seus olhos ainda carregavam uma esperança silenciosa. Sam não parou para pensar. Envolveu o cão no seu blusão, levantou-o gentilmente e levou-o para casa. Deu-lhe um nome. A partir desse momento, a praia tornou-se mais do que areia e mar. Tornou-se deles — o lugar da primeira bondade, da primeira segurança, do primeiro amor. Voltaram repetidas vezes ao longo dos anos. Caminhadas ao entardecer, pintadas de dourado pelo pôr-do-sol. Comida partilhada sem pressas. Buddy a correr atrás de ondas que nunca conseguiu entender bem. Era o lugar onde a vida parecia mais leve, mais simples, completa. Depois a doença chegou. O cancro nunca pergunta. Ele simplesmente chega, levando lentamente o que quer. Quando o veterinário proferiu as palavras que Sam temia, uma verdade ficou clara no seu coração: os últimos momentos de Buddy não seriam passados ​​sob luzes fortes ou num chão estéril. Seriam passados ​​onde a sua vida tinha realmente começado. Então, Sam carregou-o de volta para a praia. Estendeu o velho cobertor deles — gasto, desbotado e perfeito — e sentou-se perto, enquanto a maré subia suavemente. Partilharam uma última refeição quente, como sempre, sem pressas e em silêncio. A brisa envolvia-os delicadamente. O oceano subia e descia, constante e calmo. Buddy ergueu então o olhar para Sam. Os seus olhos ainda brilhavam através da dor, e a sua boca curvou-se naquele mesmo sorriso tonto e familiar — o mesmo que sustentara Sam no meio da perda, da solidão e de dez belos anos de amor inabalável. Sam passou a mão pela cabeça de Buddy. Buddy aconchegou-se no toque, confiando plenamente, como sempre fizera. Exatamente como no primeiro dia. E depois, em paz, fechou os olhos. A última fotografia captou o sorriso. Sem medo. Sem tristeza. Apenas paz, gratidão e amor. Porque o Buddy não deixou este mundo sozinho. Deixou-o exatamente onde pertencia — ao lado daquela que o escolheu outrora… e continuou a escolhê-lo, todos os dias depois disso.

Thursday, January 15, 2026

Inteligência Artificial - 10 coisas que deve saber - Tim Rocktäschel

Ainda durante o nosso tempo de vida veremos uma mudança transformacional no modo como a Inteligência Artificial é usada em quase todos os aspetos das nossas vidas. Em dez breves capítulos, o professor de IA na University College London, Tim Rocktäschel, revela tudo o que precisa de saber sobre a inteligência artificial. Desde o que o futuro reserva para a IA e porque continua a melhorar com mais dados, até à forma como a IA sobre-humana é alcançável e porque é que ainda temos de… dobrar a nossa própria roupa (e muito mais!). Um livro escsobre o autor, Tim Rocktäschel é cientista e investigador, trabalhando atualmente na Google DeepMind. É também professor de Inteligência Artificial no Centro de Inteligência Artificial do Departamento de Informática da University College London (UCL), bem como fellow do European Laboratory for Learning and Intelligent Systems. Anteriormente foi gestor e investigador na Meta AI, investigador de pós-doutoramento em Aprendizagem por Reforço no Whiteson Research Lab da Universidade de Oxford, investigador júnior em Ciências Informáticas no Jesus College e professor auxiliar em Ciências Informáticas no Hertford College. Obteve o seu doutoramento na UCL sob a supervisão de Sebastian Riedel, tendo-lhe sido atribuídas bolsas de doutoramento da Microsoft e da Google.larecedor e cativante para aquela que é, atualmente, a mais importante área da ciência e da tecnologia. A edição é da Vogais.

Wednesday, January 14, 2026

E eu...

E eu escolher-te-ia a ti; em cem vidas, em cem mundos, em qualquer versão da realidade, eu encontrar-te-ia e escolher-te-ia.

Kiersten Branco

Tuesday, January 13, 2026

Os animais no plano espiritual (Letra Espírita)

Na visão espírita, os animais são portadores de um princípio espiritual que sobrevive à morte do corpo físico. Eles possuem alma (questão 597 a, de O Livro dos Espíritos), porém em um grau distinto da alma humana, caracterizada por uma inteligência ainda em desenvolvimento, voltada predominantemente ao instinto, sem consciência moral nem livre-arbítrio plenamente estabelecido. Essa condição não os torna inferiores no sentido moral, mas indica que se encontram em uma etapa diferente do processo evolutivo. Com a morte física, esse princípio espiritual do animal não se extingue. Ele conserva sua individualidade, embora não apresente autoconsciência reflexiva como a do ser humano. Após o desencarne, os animais costumam permanecer pouco tempo no Plano Espiritual, sendo conduzidos por Espíritos responsáveis por sua orientação e organização reencarnatória. Diferentemente dos homens, eles não passam por longos períodos de Erraticidade, pois não têm escolhas morais a revisar nem culpas a elaborar. Em geral, retornam rapidamente à vida corporal, dando continuidade ao seu aprendizado.

Monday, January 12, 2026

O silêncio...

O silêncio é a linguagem de Deus. Tudo o resto é uma tradução imperfeita.

Rumi

Sunday, January 11, 2026

Intimidades reflexivas - 1959

"Chegará o momento em que compreenderemos que sabedoria é amar tudo. É saudar os dias sem esquecer a importância das horas; contemplar as grandes torrentes sem deixar de agradecer cada gota de orvalho; estimar o pão sem, no entanto, esquecer o sabor das migalhas. Chegará a ocasião de compreender que o importante não é só contar a viagem, mas testemunhar também o contributo dos passos." - José Tolentino de Mendonça in 'Para os caminhantes tudo é caminho'.

Saturday, January 10, 2026

Diga...

“Diga sempre o que sente e faça o que pensa. O silêncio destrói destinos.”

Paulo Coelho

Friday, January 09, 2026

Intimidades reflexivas - 1958

"...Mas, veja bem, meu caro: não existe nada mais forte do que estes dois soldados: paciência e tempo." - Liev Tolstoi (1818-1919) in 'Guerra e Paz".

Thursday, January 08, 2026

Declaração de Robert De Niro em 2024 sobre Trump

Esta declaração de Robert De Niro, em 2024, sobre Donald Trump é perfeita. LEIAM-NA:

"Passei muito tempo estudando homens maus. Examinei suas características, seus gestos, a absoluta banalidade da sua crueldade. Mas há algo diferente em Donald Trump. Quando olho para ele, não vejo um homem mau. De verdade. Eu vejo um malvado. Ao longo dos anos, conheci gangsters aqui e ali. Esse cara tenta ser um, mas não consegue. Existe algo chamado "honra entre ladrões". Sim, até os criminosos costumam ter um senso de certo e errado. Se eles fazem a coisa certa ou não é outra história, mas eles têm um código moral, por mais perverso que seja. Donald Trump não o tem. Ele é um cara duro em potencial sem moral nem ética. Sem noção de certo e errado. Ele não tem respeito por ninguém além de si mesmo, nem pelas pessoas que deve direcionar e proteger, nem pelas pessoas com quem faz negócios, nem pelas pessoas que o seguem, cega e lealmente, nem mesmo pelas pessoas que são considerados seus “amigos”. Sente desprezo por todos eles. Nós nova-iorquinos conhecemo-lo ao longo dos anos, porque ele envenenou a atmosfera e encheu a nossa cidade de monumentos ao seu ego. Sabíamos em primeira mão que era alguém que nunca deveria ser considerado para um cargo de liderança. Tentamos avisar o mundo em 2016. As repercussões da sua turbulenta presidência dividiram os EUA e abalaram Nova Iorque para além do imaginável. Lembre-se de como a crise nos abalou no início de 2020, quando um vírus destruiu o mundo. Vivemos com o comportamento grandiloquente de Donald Trump todos os dias no palco nacional e sofremos ao ver nossos vizinhos se amontoarem em sacos para cadáveres. O homem que devia proteger este país colocou-o em perigo por causa da sua imprudência e impulsividade. Foi como se um pai abusivo governasse a família através do medo e da violência. Essa foi a consequência de o aviso de Nova Iorque ser ignorado. Da próxima vez, sabemos que será pior. Não nos enganemos: Donald Trump, que foi submetido a julgamento político duas vezes e foi processado quatro vezes, continua a ser um tolo. Mas não podemos permitir que os nossos compatriotas americanos o descartem como tal. O mal prospera na sombra do escárnio desdenhoso, por isso devemos levar muito a sério o perigo que Donald Trump representa. Então hoje lançamos outro aviso. Deste lugar onde Abraham Lincoln falou, aqui mesmo, no coração pulsante de Nova Iorque, para o resto dos Estados Unidos: Esta é a nossa última chance. A democracia não sobreviverá ao retorno de um potencial ditador. E não vencerá o mal se estivermos divididos. O que fazemos então sobre isso? Eu sei que estou pregando para os já convencidos. O que estamos fazendo hoje é valioso, mas temos que levar o presente para o futuro, levá-lo para fora destas paredes. Temos que nos aproximar de metade do nosso país que ignorou os perigos de Trump e, por alguma razão, apoia a sua ascensão de volta à Casa Branca. Eles não são estúpidos e não devemos condená-los por tomarem uma decisão estúpida. Nosso futuro não depende só de nós. Depende deles. Vamos nos aproximar dos seguidores de Trump com respeito. Não falemos de "democracia". A “democracia” pode ser o nosso Santo Graal, mas para outros é apenas uma palavra, um conceito, e na sua aceitação de Trump, eles já lhe viraram as costas. Vamos falar do certo e errado. Vamos falar de humanidade. Vamos falar de gentileza. Segurança para o nosso mundo. Segurança para nossas famílias. Decência. Não vamos conseguir todos, mas podemos obter o suficiente para acabar com o pesadelo de Trump e cumprir a missão desta "Cimeira para deter Trump". 

Para memória futura.

Wednesday, January 07, 2026

Neste caminho...

Neste caminho, deixe que o coração seja o seu guia. Pois o corpo é hesitante e cheio de medo.

Rumi

Tuesday, January 06, 2026

Dia de Reis

Celebra-se hoje o Dia de Reis, a Epifania, segundo os católicos. O dia em que os Reis Magos homenagearam o Menino Jesus nascido no Natal, segundo a tradição católica. Noutras paragens é diferente como o caso dos países ortodoxos onde é neste dia que se celebra o Natal. Enfim, cada terra com seu uso. Entre nós, é com esta celebração encerra-se o ciclo natalício.

Feliz aniversário no céu, Paula Maia!

Celebramos hoje a Epifania de Reis. E nada mais simbólico que associar a esta efeméride o nome duma Rainha, uma grande Mulher, uma grande Amiga que nos deixou à já algum tempo. Falo da Paula Maia. Hoje era o dia do seu aniversário e não podia deixar passar em branco a data. A Paula Maia será sempre aquela Mulher que preencherá o meu imaginário. Grande Amiga dos animais, foi nesta vertente que nos cruzamos. Trabalhamos juntos em prol da mesma causa, defendendo os mesmos direitos dos seres sem voz. E como foi gratificante essa experiência. O quanto aprendi com ela. A Paula era um ser incrível, para além dos vários animais de ninguém que protegia, ainda tinha os seus, cães e gatos que ela tanto amava. Mas também nas pessoas, desde logo os seus sobrinhos que idolatrava, mas também com todas as outras, ela se inseria sempre com aquela amabilidade sincera, de coração aberto, de entrega total, que sempre lhe conheci. Que saudades dos nossos telefonemas diários. Nelas falávamos disto e daquilo, o importante era ouvirmos a voz um do outro. Criamos uma cumplicidade tal que levou ao desabafo, ao aconselhamento, à opinião, que buscávamos em cada um de nós. Vi-lhe sorrisos, vi-lhe lágrimas. ambas profundas e sinceras quando falava de algo que a afetava com aquela confiança que depositávamos um no outro. Apesar da sua ausência a sua presença impõe-se desde a eternidade porque pessoas assim são raras, pessoas que, com o seu convívio, nos elevam, nos tornam um ser melhor. Por tudo isto estou-lhe estou grato. Hoje era o dia do seu aniversário e aqui estou a recordá-la. Há pessoas que fazem toda a diferença. A Paula era uma dessas pessoas. Viverás sempre no meu coração e no meu pensamento enquanto a vida e o discernimento me acompanharem. Lá onde estiveres que estejas em paz, Paula!

Monday, January 05, 2026

O embuste

Os meus amigos venezuelanos - e conheço alguns que por cá andam - que ontem festejaram o rapto de Maduro (porque foi o que efetivamente aconteceu) já não devem estar tão contentes assim no dia de hoje depois de terem ouvido as afirmações de Trump. Como ontem afirmei e todos já sabíamos, Trump não está nada preocupado com a democracia na Venezuela, - regime em que ele parece nem acreditar - mas sim nas suas matérias primas. Esta madrugada Trump deu a entender que afinal o 'chavismo' - agora sem Maduro - vai continuar porque é difícil mudar as coisas no imediato e este será o regime para enquadrar o futuro da Venezuela. (A líder da oposição Corina Machado parece que, segundo Trump, não serve para o lugar!) Como a Venezuela tem vivido em ditadura nos últimos anos, isso vai significar que a ditadura vai continuar. (Ciao, democracia!). Mas também afirmou que os americanos vão ocupar a Venezuela 'e talvez por vários anos' o que levará a uma 'convivência pacífica entre a América de Trump e os 'chavistas'. (Confesso que acho tudo isto muito esquisito e estranho). Mas foi ainda mais longe dizendo que as empresas americanas de petróleo se irão instalar na Venezuela e os lucros desse negócio será para pagar a operação militar de rapto de Maduro! Agora sim, chegamos à verdadeira razão de tudo isto, o controle das matérias primas venezuelanas, especialmente o petróleo. Mas esta operação que não teve baixas - embora parece que pelo menos quarenta pessoas morreram segundo o NYT - abriu um precedente inconcebível num mundo em que ninguém está seguro. Já ameaçou Cuba, México e Columbia, acusando o presidente da Columbia de ser também anarco-traficante. (O curioso é que tenha mandado libertar um conhecido traficante, como era o presidente das Honduras, dizendo que 'ele tinha sido maltratado por Biden'! Americanices que ninguém entende). A Venezuela tem anarco-tráfico, mas isso parece ser a bitola de quase toda a América Latina embora esta, segundo as estatísticas conhecidas, até representará um valor bem abaixo do de outros países do Caribe. Mas Trump não se ficou por aqui. A bordo no Air Force 1 lançou de novo o repto sobre a Gronelândia, zona pertencente à Dinamarca que é país da Nato. Aqui a razão não era só as matérias primas que lá existem, mas também uma zona estratégica na defesa dos EUA. Tudo, no mínimo, muito bizarro. (Esperemos que ninguém fale a Trump sobre os nossos pastéis de Belém, caso contrário, lá teremos os americanos a derrubar o presidente e a colonizar o nosso país). Brincadeiras à parte, hoje já fui ouvindo alguma apreensão de venezuelanos com que falei. O sentimento ainda é de alguma confusão, mas aqui e ali, alguns me foram dizendo que parece que caíram num logro. Mais cedo que tarde, o tempo dará resposta a isto. A única coisa que temos como certa nos dias que correm é que ninguém está a salvo com o estulto Trump por mais que queiramos dizer o contrário.

Noite de Reis

Celebra-se hoje a noite de Reis que encerra o ciclo natalício. Festa não muito tradicional entre nós, tem o seu auge na vizinha Espanha, onde a sua celebração ultrapassa o próprio Natal. Mas com tradição ou sem ela lá a iremos celebrar. Um ciclo que se fecha para outro que se abra. Feliz noite de Reis!

Sunday, January 04, 2026

A alma...

“A alma é como uma corda de violino: só produz música quando é esticada.”

Neal A. Maxwell

Saturday, January 03, 2026

A geopolítica da miséria

Estamos a assistir neste dia ao ataque ao regime do Maduro o conhecido pequeno ditador da Venezuela. Talvez agora fique claro porque Trump tem pressionado tanto Zelensky para aceitar a capitulação da Ucrânia e a cedência de parte do seu território, sobretudo a zona do Donbass. Ao fim e ao cabo o que se prende é que os EUA  vão de encontro aos interesses russos, e estes não interferirão no apoio ao regime de Maduro. Tudo muito simples. Esta 'amizade' de Trump com um outro ditador como Putin, afinal não é mais que um negócio no tabuleiro da divisão do mundo. É conhecida a teoria de Trump que o mundo está dividido em três grandes zonas: o Ocidente para os EUA, o Leste para a Rússia e a Ásia para a China. Curiosamente não temos visto grandes ações sobre o avanço da China sobre Taiwan e é fácil de perceber porquê. Ao fim e ao cabo o que está em causa é a luta pelas matérias primas. Se Putin pretende não abdicar do Donbass visto ser nessa zona onde a Ucrânia tem concentradas as matérias primas que a Rússia pretende, Trump quer não uma zona mas toda a Venezuela visto este ser um território com grande riqueza apesar das enormes carências a que o regime de Maduro reduziu o seu país. Um país com riqueza enorme e com gentes simpáticas. O mesmo país que acolheu os meus na década de 50 do século passado que sempre guardaram uma grata memória desse país. Quanto à China vai estando fora destas questões porque, se calhar, a China se tornou demasiado poderosa e assusta estes pequenos hipócritas como Trump ou Putin. Será que ainda paira nas suas cabeças a famosa teoria do 'tigre de papel' lançada do Mao no século passado? É a isto que se chama geopolítica, que eu acrescento, da miséria, pela simples razão de que as populações não irão beneficiar com nada disto. A estes senhores do mundo só interessa a riqueza das nações e o modo de as extorquir aos respetivos países. Ao fim e ao cabo, a História repete a mesma geopolítica que à séculos atrás foi protagonizada por Portugal e a Espanha quando dividiram o mundo a meio. Quem beneficiou nessa altura foram as classes possidentes, porque a população em geral ficou na mesma. Hoje em vez de dois parceiros são três mas o princípio é o mesmo. Será curioso ver se agora o resto do mundo terá para com a Venezuela a mesma atitude que tem tido para com a Ucrânia. Alguns dirão que se tratam de regimes diferentes, mas isso só será mais uma das hipocrisias a juntar a tantas outras. E assim vai o mundo dividido entre os poderosos do momento, enquanto as populações de nada ou pouco beneficiarão com isso, mesmo quando parece que serão as principais beneficiadas. Pura ilusão. Veremos se o poder caiu na rua, que condições existem para manter a ordem, quem vai assumir a liderança entretanto. Perguntas que às quais só ao futuro caberá dar resposta.

Diz-me...

Diz-me que sou a tua musa da meia-noite, escreve sobre mim quando estiveres sozinho, sussurra-me todos os teus segredos, sente-me nos teus ossos.

Friday, January 02, 2026

Intimidades reflexivas - 1957

"Os erros são os portais da descoberta." - James Joyce (1882-1941)

Thursday, January 01, 2026

Feliz Ano Novo 2026!

E eis-nos chegados 2026. Mais uma ano a que chamamos novo, porque cheio de expectativas para mais um ciclo da vida. Que ele seja o mais benévolo possível para todos. Que traga a concretização de todos, ou pelo menos da maioria, dos desejos que cada um encerra em si mesmo. Que este seja o tal ano que esperávamos à muito. É com esta esperança sempre renovada que vos desejo um Feliz Ano Novo de 2026!