Turma Formadores Certform 66

Tuesday, February 03, 2026

Carta a quem sente ódio pelo que fizeram aos Orelhas

Também eu estou com raiva. Também eu estou com ódio. Quem sente ódio perante algo assim não é mau; está vivo. Mas há um ponto a partir do qual o ódio deixa de ser reação e passa a ser continuação. Não vamos ser piores do que quem fez o que fez. O problema do ódio é que traz uma sensação de clareza. Tudo parece simples: bons de um lado, monstros do outro. O mundo não funciona assim. De cada vez que fingimos que funciona, alguém acaba esmagado no meio. O ódio quer atalhos; a justiça não. Eu não quero sentir a excitação suja de desejar a destruição de alguém. Há uma linha fina entre querer que haja consequências e querer que haja aniquilação. Essa linha é o que nos separa do que condenamos. O que fizeram ao Orelha exige consequências reais, exige investigação séria, exige responsabilização, exige que o sistema funcione, exige educação, acompanhamento, prevenção, sensibilidade. Não exige linchamento digital, ameaças às famílias. Muito menos exige a fantasia idiota de que a violência se resolve com mais violência. O ódio em roda livre não protege os indefesos; treina novos agressores. O Orelha não era um símbolo de vingança; era um símbolo de convivência, de comunidade. Transformar a sua morte numa licença para o pior seria uma forma de traição. Temos de metamorfosear a raiva em lucidez. Temos de fazer do ódio uma habitação transitória, jamais uma residência permanente. Temos de querer justiça sem abdicar de humanidade. Quando nos tornarmos cruéis “pelas razões certas”, já perdemos tudo. O Orelha não precisa que nos tornemos monstros em seu nome. Precisa que façamos tudo para haver menos monstros no mundo. 

Monday, February 02, 2026

"A Misteriosa Padaria na Rue de Paris" - Evie Woods

'Aninhada no meio das ruas empedradas de Compiègne, havia uma padaria em nada igual às outras. Pela cidade corriam rumores de que os seus bolos tinham um sabor mágico capaz de expulsar até a mais sombria mágoa. Uma mera dentada num croissant poderia trazer sorte, desbloquear uma memória preciosa há muito esquecida ou revelar desejos ocultos…'  Depois de uma importante perda, Edith Lane sente que a sua vida precisa de uma mudança. Ao ver um anúncio de emprego, candidata-se à vaga que a faz viajar da Irlanda para Paris, onde se encontra a encantadora padaria para a qual foi contratada. Porém, quando se trata de Edie, a receita para o desastre não precisa de muitos ingredientes: uma quantidade pouco saudável de ilusões e uma pitada de desespero são suficientes para gerar o caos. É o que acontece quando percebe que não irá trabalhar na cidade dos seus sonhos, e que a padaria fica a uma hora de comboio da capital. Ao chegar lá, são muitos os dias em que pensa ter feito a escolha errada, sem perceber os mistérios daquele estranho lugar e o encanto que exerce sobre todos os que provam as suas iguarias. Contudo, o tempo e um segredo escondido sob as tábuas do soalho revelam-lhe não apenas uma história antiga cuja pista vale a pena seguir, mas também o caminho para encontrar o lugar a que verdadeiramente pertence. Quanto à autora, Evie Woods é o pseudónimo de Evie Gaughan, uma autora irlandesa bestseller, cujos livros percorrem a intrigante linha entre o quotidiano e outros mundos, revelando a magia que existe nas nossas vidas comuns. A Livraria Perdida, publicado em 2024 pela Singular, alcançou enorme sucesso, com direitos de tradução vendidos para trinta países e uma nomeação para os British Book Awards. «Um livro delicioso que não resisti a devorar de uma só vez. Foi um prazer perder-me no mundo de Edie e do misterioso padeiro. «Recomendo-o tanto aos amantes de pastelaria como aos amantes de livros!» Sally Page, autora de A Guardiã de Histórias. Um muito muito interessante e de fácil leitura.               


Sunday, February 01, 2026

Quando te vejo...

Quando te vejo, a minha alma abandona o meu corpo para dançar lentamente com a tua alma entre as nuvens.