Turma Formadores Certform 66

Monday, August 31, 2026

Fim de férias

E o Agosto chegou ao fim e as férias acabaram para muitos e estão a acabar muito em breve para os restantes. Para mim, e apesar da minha situação particular, elas já acabaram vai para alguns dias. Os colegas que acompanho nos mestrados e no doutoramento a isso levam. Os mestrados terão a conclusão neste ano letivo, e estou certo que assim será, dada a qualidade das pessoas em causa. O doutoramento demorará um pouco mais porque é algo mais exigente e o trabalho de elaboração duma tese é sempre algo complicado e trabalhoso. Mas a qualidade intelectual da pessoa em causa superará tudo isso sem problema. Esta semana vai partir para o estrangeiro, para a Universidade que o acolhe, e tenho passado estes últimos dias a preparar alguma informação para ele levar, que poderá ser útil para a tese. Apesar do trabalho, sinto-me muito motivado, e realizado. Sei que tenho três pessoas muitos empenhadas, motivadas, cultas e intelectualmente bem formadas. Isso é muito importante. Agora é tempo de arregaçar as mãos e abraçar o trabalho. Bom regresso para todos!

Sunday, August 30, 2026

Não é...

Não é que eu esteja ficando velho por ir dormir cedo num sábado, é que no domingo também é preciso acordar cedo, aproveitar o café sem pressa e ler com calma um poemário. Não é por velhice que se caminha devagar, é para observar a torpeza dos que andam apressados e tropeçam no descontentamento. Não é por velhice que às vezes se guarda silêncio, é simplesmente porque nem a toda palavra se deve dar eco. Não, não estou ficando velho, estou começando a viver o que realmente me interessa. . Não se trata de envelhecer, mas de amadurecer e escolher viver de forma mais consciente. · Dormir cedo, caminhar devagar, guardar silêncio e desfrutar do momento não é velhice, é começar a viver o que realmente importa. · Rejeite a pressa e o descontentamento da juventude para abraçar uma vida mais autêntica e tranquila.

CAPÍTULO V: Evolução e Renascimento" Pág. 116

Saturday, August 29, 2026

Pare de dar o seu amor...

Pare de dar o seu amor àqueles que não estão prontos para te amar. Deixe partir da sua vida as pessoas que não estão prontas para te amar. A verdade é que você não é para todo mundo... E que todo mundo não é para Você... É isso que torna este mundo tão especial, quando você encontra as poucas pessoas com quem tem uma amizade, um amor ou uma relação autêntica... Você saberá o quão precioso isso é... Porque você experimentou o que não é... Mas quanto mais tempo você passa tentando se fazer amado por alguém que não é capaz disso... Mais tempo você perde se privando dessa mesma conexão... Isso não é amor. É apego. É querer dar uma chance a quem não quer! A coisa mais preciosa e importante que você tem na sua vida é a sua energia. Não é apenas o seu tempo, pois ele é limitado... É a sua energia! O que você dá todos os dias é o que se criará cada vez mais na sua vida. Quando você percebe isso, começa a entender por que se sente tão impaciente quando passa tempo com pessoas que não combinam com você, e em atividades, lugares, situações que não combinam com você. Você começará a perceber que a coisa mais importante que pode fazer pela sua vida, por si mesmo e por todos que conhece, é proteger a sua energia mais ferozmente do que qualquer outra coisa. Faça da sua vida um refúgio seguro, no qual apenas as pessoas "compatíveis" com você são permitidas. Decida que você merece uma amizade real, um compromisso verdadeiro e um amor completo com as pessoas que são saudáveis e prósperas. Então espere... só por um momento... E veja o quanto tudo começa a mudar...

Anthony Hopkins

Friday, August 28, 2026

A estupidez...

«A estupidez é muito mais perigosa que o mal, pois o mal faz pausas de vez em quando, ao contrário da estupidez»

Anatole France

Thursday, August 27, 2026

Dizem...

“Dizem que antes de entrar no mar, o rio treme de medo. Olha para trás todo o caminho percorrido, os cumes, as montanhas, o longo e sinuoso caminho aberto através de selvas e povoados, e vê diante de si um oceano tão grande, que entrar nele só pode significar desaparecer para sempre. Mas não há outra maneira, o rio não pode voltar. Ninguém pode voltar. Voltar atrás é impossível na existência. O rio precisa aceitar sua natureza e entrar no oceano. Somente entrando no oceano se diluirá o medo, porque só então saberá o rio que não se trata de desaparecer no oceano, mas de se tornar oceano.”


Khalil Gibran 🇱🇧 (1883-1931)

CAPÍTULO V: "Evolução e Renascimento" Pág. 106

Wednesday, August 26, 2026

Intimidades reflexivas - 1978

Provérbio Árabe

Não digas tudo o que sabes

Não faças tudo o que podes

Não acredites em tudo o que ouve

Não gastes tudo o que tens

porque:

Quem diz tudo o que sabe,

Quem faz tudo o que pode,

Quem acredita em tudo o que ouve,

Quem gasta tudo o que tem;

Muitas vezes diz o que não convém,

Faz o que não deve,

Julga o que não vê,

Gasta o que não pode.

Tuesday, August 25, 2026

Foi à 36 anos o incêndio no Chiado

Passam hoje 36 anos sobre o grande incêndio do Chiado em Lisboa que, ao que parece, terá começado nos Armazéns Grandella. Nesse dia encontrava-me em Lisboa. Como sabem trabalhei durante muitos anos no Grupo Vista Alegre que tinha a sua sede nesse tempo no Largo Barão de Quintela - que os lisboetas conhecem melhor pelo Largo dos Bombeiros - ali paredes meias com o Chiado. O incêndio começou a tomar proporções inabituais e em determinada altura, (perante a preocupação de quem ali trabalhava), foi dada indicação para evacuar o edifício. Aproveitei para rumar ao Porto pensando que poderia ter saído do edifício pela última vez. Felizmente não foi assim, embora o Chiado tenha ficado reduzido a cinzas. Hoje já depois da reconstrução, nota-se que o velho Chiado tinha morrido para sempre. O Chiado de Eça e de Pessoa não voltaria jamais. Hoje com um aspeto bem mais moderno, com algumas fachadas recuperadas, respira-se um outro ar, num outro tempo. Mas aquele Chiado histórico tinha acabado definitivamente.

Monday, August 24, 2026

Dois anos de saudade

Passam hoje 2 anos sobre aquele dia em que uma terrível notícia desabou sobre mim. Era sábado, cerca da uma da tarde, preparava-me para ver as notícias e tinha o computador aberto. Quase se supetão aparece a notícia do falecimento da minha querida amiga Sofia Flor Rocha. De tão inesperada nem queria acreditar. Tinha falado com ela na noite anterior, de madrugada contactei-a, como era habitual, e não obtive resposta. Ainda atribui isso a alguma farra com amigos em Braga para onde ela tinha ido, segundo me disse. Depois foi o silêncio, pesado, duro. A Sofia tinha-nos deixado. Muitas conversas por ter, alguns projetos à espera de concretização, como sempre acontece nestas circunstâncias. Uma boa amiga tinha partido, vítima de brutal acidente de viação. E o vazio instalou-se. As saudades começaram logo ali. E ainda não terminaram. Glosando uma canção de Abrunhosa que ambos gostávamos, apetece-me dizer-te que "fui ter contigo aos Aliados" mas tu não apareceste. Talvez um dia, quem sabe. Lá onde estiveres, descansa em paz, Sofia!

12 anos de ausência da Tuxa

Passam hoje 12 anos sobre a morte da minha grande companheira Tuxa, ela que foi a mãe adotiva de outro grande cão, o Nicolau. Mais uma resgatada à rua, que vimos ser abandonada, e a que não ficamos indiferentes. Sempre se mostrou muito agradecida a quem a salvou dos perigos do abandono. Foi uma grande companheira e uma mãe extremosa. Morreu depois de percorrer uma longa vida e com um problema numa vista que a foi debilitando. Um cancro irreversível que não admitia cirurgia. Morreu no jardim, no seu local preferido onde passava muitas horas do dia. O seu filho adotivo, Nicolau, assistiu aos seus últimos momentos e não ficou indiferente. Durante cerca de um ano, a primeira rotina da manhã era para ir visitar a sua sepultura. Por vezes, ficava lá deitado durante algum tempo. Depois o tempo foi esbatendo a ausência e  compensou essa perda com a nossa companhia. Mais tarde ele seria sepultado ao seu lado. Já passaram 12 anos sobre o seu desaparecimento. Lá onde estiveres que estejas em paz, Tuxa!

Sunday, August 23, 2026

O lobo...

O lobo não precisa provar que é útil para merecer existir. Não precisa se justificar perante nós, nem trazer benefícios econômicos, nem pedir permissão para ocupar o território que, durante milhares de anos, compartilhou com o resto das espécies. Seu direito de viver não depende do que possa nos dar, mas de algo muito mais simples e profundo: faz parte da natureza e tem direito a continuar fazendo parte dela. Há mais de meio século, o Grupo de Especialistas em Lobos da UICN já o expressou com clareza: o lobo, como todo animal selvagem, tem direito a existir em seu estado natural e a coexistir connosco como parte integrante dos sistemas ecológicos. Em 1973, já se compreendia algo que, até hoje, alguns se recusam a aceitar. O lobo não é uma peça que possamos eliminar quando incomoda, nem uma ferramenta que devamos conservar apenas quando nos é útil. É um predador essencial, uma peça do equilíbrio ecológico e um símbolo de uma natureza que ainda preserva algo de liberdade. Proteger o lobo não é lhe fazer um favor. É assumir nossa responsabilidade. Porque, quando uma sociedade precisa encontrar razões para permitir que uma espécie selvagem continue vivendo, talvez o problema não esteja no lobo. Talvez esteja em nós.

Saturday, August 22, 2026

Morre aos poucos...

Morre aos poucos quem se transforma em escravo da rotina, repetindo todos os dias os mesmos passos, quem evita a aventura, quem se sente infeliz no seu trabalho, quem não arrisca, quem não luta pelos seus sonhos, quem não viaja, quem não lê, quem não escuta música, quem destrói sua autoestima, quem não se deixa ajudar, quem cai em um vício, quem mantém um relacionamento de casal tóxico, quem passa os dias lamentando sua má sorte, queixando-se da chuva, do frio, do calor, do barulho, de tudo...

Friday, August 21, 2026

"Estefânia - A Rainha Virgem" - Isabel Stilwell

O caderno que o seu adorado irmão lhe ofereceu era o único sítio no qual Estefânia podia ser sincera, onde podia desabafar sobre os seus sentimentos mais íntimos, que nem à sua doce mãe se atrevia a confessar nas cartas que incessantemente lhe escrevia. Chegara a Portugal cheia de sonhos e ilusões, perdidamente apaixonada por Pedro, o rei de Portugal, que jurava que só ela o poderia salvar da melancolia e da angústia de reinar um país crucificado pela incompetência e a corrupção. Mas Pedro estava ensombrado pelo passado… Juntos enfrentam crises políticas e as calúnias maldosas espalhadas pelas páginas dos jornais, mas só Estefânia e o seu caderno sabiam a verdade... De todas as vezes que se insinuou ao rei, do desespero que sentia por não cumprir o seu papel como mulher e rainha, da falta de ar que a sufocava por Pedro não lhe dar ouvidos e não a deixar dar um passo em liberdade. O que a rainha não sabia é que o tempo estava contra ela e que uma verdadeira história de amor raramente existe sem uma tragédia. Com base numa pesquisa exaustiva nos arquivos alemães da família, Isabel Stilwell, autora best-seller de romances históricos, traz-nos a emocionante história de Estefânia de Hohenzollern-Sigmaringen desde a sua chegada a Lisboa até à sua trágica morte. Sobre a autora, jornalista e escritora. Em 2007, estreou-se na escrita de romances históricos com Filipa de Lencastre e conta já com treze biografias de onze grandes rainhas e dois reis, com mais de 350 mil livros vendidos, quatro traduzidos para inglês, sendo também publicada em Espanha e no Brasil. Todos estes romances ocuparam o top de vendas de ficção nacional. Em abril de 2019, para assinalar o bicentenário da rainha D. Maria II, iniciou uma coleção sobre rainhas de Portugal dedicada aos mais novos. Desde o Diário de Notícias, onde começou aos 21 anos, que contribui de forma essencial para o jornalismo português. Fundou e dirigiu a revista Pais & Filhos, foi diretora da revista Notícias Magazine durante 13 anos e diretora do jornal Destak, entre muitos outros projetos. Atualmente, escreve no Público, no Jornal de Negócios e na revista Máxima. A edição é da Planeta.

Thursday, August 20, 2026

Para ser feliz...

"Para ser feliz, é preciso eliminar duas coisas: o medo de um futuro ruim e a lembrança de um passado ruim."

Séneca

Wednesday, August 19, 2026

Já alguma vez...

Já alguma vez estiveste apaixonado? Horrível, não é? Torna-te vulnerável, abre-te o peito e o coração, deixando que alguém entre e te destrua por dentro. Constróis muros, levantas armaduras para te protegeres, mas basta que uma pessoa irrompa na tua vida, te sorria, te beije… e de repente, a tua vida já não é tua. O amor não pede licença. Entra às escondidas, toma reféns e, quando parte, deixa um estilhaço de vidro cravado na alma. Não é só dor, é um vazio que te consome. Odeio o amor, porque transforma os fortes em frágeis e os sãos em loucos.

Neil Gaiman

Tuesday, August 18, 2026

Nunca empreste...

Nunca empreste seu guarda-chuva a alguém que só se lembra de você quando chove. É tristemente comum cruzar com pessoas que brilham pela ausência durante os dias ensolarados, mas que reaparecem como por encanto assim que o céu se lhes escurece e precisam de abrigo. Emprestar-lhes o guarda-chuva muitas vezes implica ficar você sob a chuva, molhando-se e desgastando-se por alguém que, assim que parar de chover, voltará a se esquecer de você. Aprender a fechar esse guarda-chuva ou a dizer "não" nessas situações não é um ato de egoísmo, mas de autocuidado e dignidade. Devemos reservar nosso abrigo para aqueles que também escolhem caminhar ao nosso lado sob o sol e, acima de tudo, para os que não hesitariam em nos oferecer o próprio guarda-chuva se fôssemos nós os encharcados.

Monday, August 17, 2026

Silencie...

Silencie a mente e a alma falará.

Buda

Sunday, August 16, 2026

De todas as coisas...

«De todas as coisas que tendem a escravizar os homens, a ignorância é a mais poderosa.»

Frederick Douglass

Saturday, August 15, 2026

Muita gente...

« Muita gente tem opiniões muito fortes sobre coisas que conhecem muito pouco. »

Mark Twain

Friday, August 14, 2026

Cuidado com a raiva...

“Cuidado com a raiva de um homem paciente.”

Provérbio Irlandês

Thursday, August 13, 2026

Para pequenas criaturas...

"Para pequenas criaturas como nós, a vastidão só é suportável através do amor." - Prof. Carl Sagan

Wednesday, August 12, 2026

Elipse solar

O eclipse solar de hoje,12 de agosto de 2026, será um fenómeno astronómico histórico visível em Portugal. Na região do Porto (próximo de Leça do Balio), o eclipse será parcial profundo, atingindo cerca de 98% de ocultação do Sol, com início por volta das 18h30 e máximo perto das 19h30. Cerca de 98% do Sol ficará encoberto pela Lua. Olhar para o horizonte oeste-noroeste, visto que o Sol estará baixo na fase final do dia. Começa por volta das 18:33, atinge o máximo a cerca das 19:30 e termina perto das 20:23. Depois desta data, a próxima vez que a Lua ocultará totalmente o Sol em território nacional só acontecerá em 2144.

Tuesday, August 11, 2026

A verdade...

A verdade não é o que você quer que ela seja; ela é o que é. E você deve se curvar ao seu poder ou viver uma mentira.

Musashi

Monday, August 10, 2026

O comportamento...

"O comportamento humano flui de três fontes principais: desejo, emoção e conhecimento."

Platão

Sunday, August 09, 2026

Intimidades reflexivas - 1977

"Chorar é correr o risco de parecer sentimental. Estender a mão é correr o risco de se envolver. Expor os seus sentimentos é correr o risco de mostrar o seu verdadeiro eu. Defender os seus sonhos e ideias diante da multidão é correr o risco de perder as pessoas. Amar é correr o risco de não ser correspondido. Viver é correr o risco de morrer. Confiar é correr o risco de se dececionar. Tentar é correr o risco de fracassar. Mas os riscos devem ser corridos, porque o maior perigo é não arriscar nada. Há pessoas que não correm nenhum risco, não fazem nada, não têm nada e não são nada. Elas podem até evitar sofrimentos e desilusões, mas elas não conseguem nada, não sentem nada, não mudam, não crescem, não amam, não vivem. Acorrentadas por suas atitudes, elas viram escravas, privam-se de sua liberdade. Somente a pessoa que corre riscos é livre!" - Séneca (c. 4 aC-65dC)

Saturday, August 08, 2026

Os olhos dos gatos...

"Os olhos dos gatos são muito importantes e olhar os olhos dos gatos me enriquece bastante. Não sei como explicar isso a vocês, aliás, é difícil, e Baudelaire o fez muito melhor do que eu. Eu amo os animais, e eles são muito decorativos também, especialmente os gatos: eles sempre se posicionam no lugar onde ninguém teria a ideia de colocá-los."

Georges Brassens

Friday, August 07, 2026

Acho que poderia...

“Acho que poderia me virar e viver com os animais, eles são tão plácidos e autossuficientes. Fico de pé e os observo por muito e muito tempo. Eles não suam e se queixam de sua condição. Não ficam acordados na escuridão e choram por seus pecados. Não me causam náuseas discutindo seu dever para com Deus. Nenhum deles está insatisfeito, nenhum está enlouquecido pela mania de possuir coisas. Nenhum se ajoelha diante de outro, nem diante de sua espécie que viveu milhares de anos atrás. Nenhum é respeitável ou infeliz em toda a face da terra.”


Walt Whitman

Thursday, August 06, 2026

Só o amor...

Só o amor pode reunir num só abraço a ternura e o erotismo.

𝑇 𝑒𝑛~𝐿~

Ilustração intercetada no feed, artista não identificado.

Wednesday, August 05, 2026

O abraço...

O abraço é o caminho por onde desfilam as melhores sensações que o nosso coração deseja entregar a quem amamos ou queremos bem

Gosto de tudo em você dos teus olhos a me amarrar, das tuas mãos a me descobrir da tua boca bebo o mel do seus beijos

Marcos Romano

Tuesday, August 04, 2026

Toda crueldade...

“Toda crueldade nasce da fraqueza.”

Séneca

Monday, August 03, 2026

A parte mais difícil de um cachorro...

A parte mais difícil de ter um cachorro não é aquela que se imagina. Não é ter que se levantar cedo, mesmo quando está frio, mesmo sob a chuva, mesmo quando se tem sono ou simplesmente não se tem vontade. Não é sair todas as noites, quando tudo o que se quer é ficar no sofá. Não é recolher os pelos em cada canto da casa, nas roupas, nem passar o aspirador três vezes por dia sabendo que, em uma hora, parecerá que nunca foi feito. Não é gastar dinheiro no veterinário, em ração de qualidade ou em brinquedos que duram apenas alguns minutos. Não é planejar as férias de acordo com se ele pode ir ou não. Não é abrir mão de certas saídas, de certos convites, porque no lugar para onde você vai, ele não pode ir. Tudo isso, mesmo que pareça muito, não pesa. Torna-se rotina. Torna-se amor. A parte mais difícil chega devagar, como o crepúsculo que se infiltra em silêncio entre as cortinas. É perceber que a energia dele não é mais a mesma. É ver que a bola que ele perseguia sem parar agora fica pela metade do caminho, e que ele te olha como se dissesse: «eu tentei». É ver que o brilho nos olhos dele ainda está lá, mas velado por um cansaço doce. É constatar que os pelos brancos não são mais uma anedota engraçada, mas as marcas do tempo que faz sua obra. A parte mais difícil é se lembrar do filhote desajeitado que mastigava seus cadarços, e olhá-lo hoje, abanando devagar o rabo, o corpo cansado, mas a alma intacta. A parte mais difícil é saber que, para você, ele foi uma parte da sua vida, mas que, para ele, você foi toda a dele. E aí, sim, o coração aperta. Porque você não está pronto. Nunca está. Porque o amor que ele te deu não conhece medida, e o silêncio que ele deixará nunca poderá ser preenchido. E, no entanto, você o escolheria de novo. Mil vezes. Porque tudo o que ele te deu, ele fez sem nunca pedir nada em troca. Moral: Ter um cachorro é aceitar que um dia seu coração se partirá. Mas é também saber que, enquanto ele bater, esse coração viverá mais pleno, mais nobre, mais humano. Porque quem foi amado por um cachorro conheceu uma forma de amor que nunca esquecerá.

Sunday, August 02, 2026

Os pássaros...

Os pássaros souberam primeiro. Muito antes de mapeamos a terra e traçamos nossas fronteiras, eles sabiam que o céu pertencia a todos — e a ninguém.

Saturday, August 01, 2026

Estou em paz...

Estou em paz com a minha solidão. Caminho ao meu ritmo, concentrado nos meus sonhos, levado ora por uma energia transbordante, ora por uma calma profunda. Às vezes, sinto vontade de partir, de ver o mundo, de cruzar com rostos desconhecidos. Outras vezes, prefiro ficar em casa, sem fazer nada além de existir, simplesmente. Pouco me importa se o telefone permanece mudo, se ninguém escreve. Não espero nada de ninguém. O que realmente me importa é a serenidade que soube construir, essa paz rara e preciosa que preenche os meus dias. Não corro atrás de ninguém, não respondo a ninguém. O meu coração não mendiga mais. Se um dia alguém entrar na minha vida, ele ou ela terá de estar à altura desse tesouro de tranquilidade que possuo. Porque aprendi a amar-me o suficiente para saber que a minha paz vale mais do que qualquer presença passageira.

Emmanuel Zavala, À vontade com a minha solidão